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Gramado sintético nos estádios cearenses vale a pena?

Campo de jogo manutenção dos gramados naturais dos principais estádios cearenses tem custo elevado. Opção pelo sintético poderia ser alternativa econômica e de qualidade

01:30 | 04/05/2018

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Das principais reclamações dos clubes que disputam as séries A e B do Brasileiro, poucas se remetem aos gramados. Desde 2016 a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) começou um programa de padronização de estádios que pelo menos aumentou a qualidade dos campos de jogo.
[SAIBAMAIS] 

No Campeonato Cearense o panorama foi bem diferente, basta relembrar as reclamações insistentes dos técnicos Rogério Ceni e Marcelo Chamusca contra a maioria dos gramados.

A questão é que manter a qualidade de um campo não sai barato. No Castelão, o custo é de R$ 12 mil por mês com nutrientes e outros químicos. Levando em conta os funcionários que apenas cuidam da grama (quatro) e o maquinário importado, o valor de manutenção pula para R$ 40 mil.

“A grama utilizada no Castelão é a bermuda celebration, mesma dos campos da Europa, que requer algumas exigências de adubação e irrigação. 

 

Diariamente são utilizados 4 milímetros de água”, explica Lucas Pedrosa, engenheiro da Greenlief, empresa que cuida também de outras sete arenas utilizadas na Copa do Mundo. O gramado ainda passa por descompactação, corte e pinturas com máquinas helicoidais (que gira em torno de um eixo e se desloca ao longo deste eixo).
 

O estádio Presidente Vargas também investe R$ 40 mil por mês em cuidados ao “tapete verde”. O valor corresponde a pessoal, insumos, manutenção de equipamento, combustível, reposição de grama e irrigação, segundo a Secretaria Municipal do Esporte e Lazer (Secel).
 

Uma saída para diminuir custos seria o uso de grama sintética, liberada pela Fifa, que exige pouco de manutenção. O POVO visitou a Arena da Baixada, estádio do Atlético Paranaense, um das sedes da Copa do Mundo no Brasil em 2014, que possui campo totalmente sintético.
 

“A manutenção quase não tem custo mensal, dá pra dizer que é zero”, explica Fernando Volpato, diretor de operações da Arena da Baixada.
 

Segundo ele, os testes feitos para a renovação do certificado emitido pela Fifa anualmente custam em torno de R$ 100 mil. “Significa 10% do gasto anual que tínhamos com gramado natural”, compara. Outro benefício é que o gramado não muda de condições durante a partida.
 

O trabalho feito sobre o solo sintético se resume a escovar periodicamente e aguar três vezes ao dia. Um funcionário apenas dá conta do recado. A composição do gramado dá essas condições. O maior empecilho em optar pelo sintético está na instalação. O custo é de cerca de R$ 2,5 milhões, frente a R$ 300 mil da grama natural. “Em um ano se paga, com economia de manutenção”, garante Fernando Volpato.
 

O engenheiro Lucas Pedrosa, que também tem experiência com campo sintético, diz que tal alternativa afeta a jogabilidade e aumenta riscos de lesão.
 

“Em caso do jogador tentar um movimento mais brusco, no sintético a tração é alta; se ele girar não vai conseguir soltar a grama, pode dar problema no joelho. já que no gramado natural apenas arrancaria um tufo de grama”.
 

O administrador do estádio do Furacão contesta. “Isso é uma visão antiga, de gramados anteriores. Antes a borracha era resíduo da indústria, dura, material que esquentava e machucava quando o jogador dava carrinho ou caía. Hoje é úmido, agradável do ponto de vista térmico, no pisar, tem a consistência adequada, até porque tudo é testado”.

 

INVESTIMENTO


Para implantar o gramado sintético é necessário desembolsar cerca de R$ 2,5 milhões, mas a manutenção tem custo praticamente zero, segundo a direção do Atlético-PR 

BRENNO REBOUÇAS

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