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Tabus que se renovam

Clássico-rei fortaleza não perde para o Ceará desde 2015. De lá pra cá, são três vitórias e quatro empates. Último triunfo do vovô ocorreu em 1º de outubro daquele ano

01:30 | 03/02/2018

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É consenso entre os torcedores mundo afora que qualquer argumento que sirva para exaltar seu clube e fazer chacota do rival nas discussões futebolísticas é válido. Mas nenhum deles é tão forte quanto os tabus, que sustentam a tese de um sobrepor-se ao outro.  

Para o Clássico-Rei de amanhã, é o torcedor do Fortaleza que pode ostentar tal reflexão. Afinal, desde 2015 o Tricolor não sabe o que é perder para o rival Ceará em um jogo oficial.  

A última vitória Alvinegra foi em 1º de outubro daquele ano. E com estilo. Pela Taça Fares Lopes, o Vovô goleou o arquirrival por 4 a 1, no estádio Presidente Vargas, com direito a dois gols do folclórico atacante Siloé.  

Daquele time que esteve em campo, apenas dois atletas fazem parte do atual elenco do Vovô: o goleiro Everson e o lateral esquerdo Ernandes. No Leão, Bruno Melo e Wesley são os únicos remanescentes.  

De lá pra cá, foram sete jogos, entre Campeonato Cearense e Taça Fares Lopes, com três vitórias leoninas e quatro empates. No ano passado, tricolores e alvinegros se encontraram apenas três vezes. Uma pelo Estadual - vitória do Fortaleza por 1 a 0 - e outras duas pela Fares Lopes, com um empate em 1 a 1 e outro triunfo leonino, por 2 a 1. Antes, o tabu era exatamente do lado oposto: o Ceará que passou três anos sem perder para o Fortaleza. Ao todo, foram 13 jogos disputados, entre 2012 e 2015, com sete vitórias e seis empates. O Tricolor quebrou a sequência quando venceu o rival por 2 a 1, no dia 7 de março de 2015. Curioso é que o treinador do Leão do Pici na época era Marcelo Chamusca, hoje no Ceará.  

Apesar dos números, os tabus devem ficar apenas nas discussões dos torcedores e não serem transpostos aos jogadores e comissão técnica. Caso contrário, pode até atrapalhar no rendimento dentro de campo.  

“Se for se deixar influenciar por isso, o tabu acaba não sendo bom pra ninguém, nem pra quem vai tentar mantê-lo nem pra quem quer quebrá-lo. Porque ele puxa para o lado emocional, e no esporte de alto rendimento é preciso ser o mais racional possível”, garante Ricardo Ângelo, professor universitário e especialista em psicologia do esporte.  

“Não dá pra pensar ‘tenho que vencer para manter o tabu’ ou ‘tenho que vencer para quebrar o tabu’. Isso acaba atrapalhando no desempenho e no resultado final”, assegura o especialista.  

O histórico não entra em campo, mas serve para fomentar os debates entre tricolores e alvinegros à véspera do Clássico-Rei.  

Se a sequência será quebrada ou ampliada, só será possível descobrir amanhã, às 18 horas, quando a bola rolar no Castelão. (André Almeida)

ANDRE ALMEIDA

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