VERSÃO IMPRESSA

Olha o que ele fez!

Ronaldinho relembre oito momentos em que o craque brasileiro demonstrou sua genialidade. O jogador anunciou aposentadoria

01:30 | 18/01/2018

[FOTO1]
Para os mais jovens, a repercussão global do anúncio da aposentadoria de Ronaldinho Gaúcho, com homenagens de jornais, jogadores, ex-jogadores, treinadores e personalidades esportivas de todo o mundo, pode parecer
exagero. 


Afinal, que assombro tem a confirmação da aposentadoria de um atleta de 37 anos que não atua profissionalmente há dois anos e meio? Tal questionamento é feito por quem não tem dimensão da genialidade de Ronaldo
de Assis Moreira.
 

,Quem sabe de sua representatividade, hoje lamenta por ter chegado ao fim uma das carreiras mais brilhantes do futebol brasileiro.
 

Desde os tempos de Grêmio, o dentuço já mostrava que sua habilidade transcendia o esporte. Ronaldinho era a expressão genuína da arte nas quatro linhas. Seus golaços e dribles desconcertantes marcaram época no Paris Saint Germain e também no Barcelona, onde o craque encantou o mundo.
 

O brasileiro revolucionou a maneira de o Barcelona jogar e recolocou a equipe no topo da Europa, após anos em baixa sem títulos expressivos.
 

Por isso, foi na Catalunha que o gênio se consagrou e tornou-se um mito. Ou “bruxo”, como queiram. Elásticos, chapéus, dribles acrobáticos. Imprevisíveis e alucinógenos. Arrancadas, lançamentos, golaços. De dentro da área, fora da área, de falta. Passes. De trivela, calcanhar, de costas. Um repertório sem igual para sua geração.
 

Mas o mito não foi construído só por isso, e sim por juntar o talento com alegria, irreverência e arte. De uma forma quase circense. Não é preciso muito esforço para puxar na memória algum lance plástico do “bruxo”. Não à toa é o “Rei do Dibre”.
 

Ronaldinho conquistou tudo que podia. É, até hoje, o único Bola de Ouro (venceu em 2004 e 2005) a ganhar Copa do Mundo (2002), Liga dos Campeões (2005/2006) e Libertadores da América (2013). Nos dois anos em que esteve no auge, entre 2004 e 2005, se manteve em alto nível de forma inquestionável.
 

Os últimos tempos de sua carreira, com camisas de Milan, Flamengo, Atlético-MG, Querétaro-MEX e Fluminense, tiveram ainda espasmos de genialidade. Mas foram, de forma geral, cruéis, por terem feito R10, de tão monstruoso, ter sido sombra de si mesmo. A sensação era de que o brilho nos gramados teria sido ainda mais intenso se Ronaldinho tivesse uma longevidade maior. 


Infelizmente, não saberemos até onde o Gaúcho poderia ter chegado. Mas o que ele demonstrou o coloca entre os maiores de todos os tempos e é o suficiente para sabermos que o mundo do futebol o reverencia. E será assim para sempre. Felizes os que viram o “bruxo” em ação. 

 

ESTREIA


Em 1999, no Paraguai, o Brasil conquistou pela segunda vez seguida a Copa América. Mais que o título, um lance marcante de Ronaldinho contra a Venezuela entrou para a história da Canarinho. Em sua primeira partida pela seleção, o então franzino garoto de 19 anos aplicou chapéu desconcertante no defensor venezuelano, invadiu a área e finalizou com força. Um golaço, coroando o primeiro ‘dibre’ marcante de Ronaldinho com a camisa da seleção brasileira.
 

ANTOLÓGICO
 

Falar de Ronaldinho é falar de um dos momentos mais marcantes da Copa do Mundo de 2002, na qual a seleção conquistou o pentacampeonato mundial. O gol antológico de falta contra a Inglaterra,pelas quartas de final, decretou a vitória por 2 a 1 e abriu caminho para o pentacampeonato.
 

CHAPÉU TRIPLO
 

Em março de 2004, Ronaldinho Gaúcho realizou um dos lances mais lembrados de sua carreira: o chapéu triplo em cima de Javi González (camisa 11) e Carlos Gurpegina (camisa 18) na partida contra o Athletic Bilbao. Era a sua primeira temporada pelo Barça, e ele já mostrou aos catalães o que viria pela frente.
 

REVERÊNCIA
 

A passagem do “Bruxo” por Barcelona foi tão marcante que ele foi ovacionado em pleno Santiago Bernabéu, estádio do Real Madrid. O camisa 10 teve atuação tão brilhante no clássico contra o Real, em 2005, que ele foi aplaudido de pé. O jogo terminou 3 a 0 para o Barça, com dois gols de Ronaldinho.Ser aplaudido pela torcida rival era um feito que, até então, só Maradona tinha conseguido, na sua rápida passagem pelo Barça nos anos 80.
 

TROCA DE COROA
 

Considerado o grande mentor de Lionel Messi, Ronaldinho foi o autor da assistência para o primeiro gol do argentino com a camisa do Barça, em 2004. Mais que o gol, o lance teve uma simbologia marcante: representou o momento em que ele “passou a coroa” para Messi, que é até
hoje o grande nome do Barça.
 

QUEM SABE, SABE!
 

Ronaldinho é a prova viva de que “quem sabe, nunca desaprende”. Mesmo depois do seu auge, em 2011, já aos 31 anos, quando defendia o Flamengo, ele protagonizou lance impressionante em um Fla-Flu, no estádio Engenhão. Após a zaga do Fluminense afastar a bola com um chutão para cima, a pelota desce 40 metros e Ronaldinho a domina com facilidade, fazendo ela colar em seu pé, já tirando o marcador do lance.
 

SANTOS X FLAMENGO
 

Um dos jogos mais marcantes de Ronaldinho ocorreu em 27 de julho de 2011, na Vila Belmiro, “casa” de Pelé. O Santos, de Neymar, abriu 3 a 0 com menos de 30 minutos de jogo. O Flamengo empatou, mas Neymar recolocou o time da casa na frente. Só que o “Rei do Dibre” — que já havia marcado um gol — estava inspirado. Em cobrança de falta absurda na entrada da área, Ronaldinho colocou a bola por baixo da barreira e empatou. Logo depois, marcou mais um, decretando o placar final de um jogo que ficará marcado na história do futebol brasileiro: Santos 4 x 5 Flamengo.
 

NÚMEROS DO GÊNIO
 

Ronaldinho Gaúcho deixará um legado de dribles e jogadas incríveis, além de números impressionantes. Em 835 jogos oficiais, foram 315 gols, 15 títulos e 21 prêmios individuais. Pela seleção, 99 jogos e 34 gols.

TAGS