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Com estratégia arriscada, Bellucci evitou punição maior

01:30 | 06/01/2018

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Uma arriscada estratégia de defesa permitiu a Thomaz Bellucci escapar de uma suspensão de dois a quatro anos por doping no tribunal da Federação Internacional de Tênis (ITF). Pela iniciativa, levou gancho de só cinco meses.
 

Se tivesse aceitado a suspensão, Bellucci teria o caso de doping divulgado ainda em setembro — seriam três meses entre a denúncia e a decisão da ITF, anunciada no dia 31 de dezembro. Por outro lado, uma eventual punição teria chances de se tornar retroativa à data do documento de aceite. Como isso não aconteceu, ele corria o risco de ter o gancho contando a partir da data do anúncio oficial. "Decidimos não aceitar a suspensão provisória porque tínhamos muita certeza na absolvição", disse o advogado Pedro Fida. A decisão não resultou em absolvição. Mas, a sanção de cinco meses foi considerada leve.
 

O resultado da estratégia foi garantido pelo próprio tenista ao afirmar que sua imagem pouco foi atingida pelo doping. "Tivemos primeiro contato com patrocinadores e eles entenderam. Não acredito que será uma mancha na minha carreira. São dez anos entre os melhores do mundo".
 

Em sua defesa, Bellucci alegou que o diurético hidroclorotiazida — proibida pela Agência Mundial Antidoping (Wada) por mascarar outras substâncias — aparece por contaminação cruzada nos suplementos que consumia. Bellucci encaminhou dois frascos com polivitamínicos, um de junho de 2017, aberto, e outro de agosto, lacrado, para análise privada. Segundo a defesa, nos dois foi constatada a hidroclorotiazida, apesar de a receita médica não prescrever a substância. O tenista ainda mandou amostras de cabelo para exames com a intenção de comprovar que o diurético não mascarou esteroides.
 

A federação criticou Bellucci por não ter anunciado que estava tomando suplemento, o que é praxe em formulários entregues aos tenistas antes do início dos torneios. Apesar disso, a ITF constatou a falta de intenção em obter benefícios. O tenista sofre com problema crônico de perda de líquido durante jogos. O diurético, portanto, tenderia a piorar a limitação física. Pesou a favor do brasileiro também a atitude de colaboração na apuração do caso. 

 

(Agência Estado)

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