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Enchendo a bola

Tênis projeto leva o esporte a bairros periféricos de fortaleza. Ação, todavia, passa por dificuldade

01:30 | 18/01/2018
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Implementado no ano passado, no bairro Serrinha, o projeto Sacada Cidadã apresentou o tênis à rotina de cerca de 40 crianças da rede pública de ensino.
  

A ideia só foi possível por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, que permite que empresas deduzam do imposto de renda o patrocínio para projetos.
A ação é capitaneada pelo professor Emerson Lucas, que promove iniciativa semelhante no bairro Dom Lustosa. Recebendo do fardamento ao equipamento esportivo, os estudantes de 7 a 12 anos têm acesso a um esporte não tão popular na periferia. E tudo de graça. 

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A meta, segundo Lucas, não é encontrar um novo Gustavo Kuerten ou uma Maria Esther Bueno no Ceará, mas oferecer cidadania. "Esse espaço aqui não é de rendimento, é de interação social, democrático, todo mundo praticando de forma igual. Os pais veem a mudança no comportamento dos filhos, no respeito ao outro", ressalta o professor.
 

A dona de casa Glauba Silva, 52, leva o filho Estevão Igor, 11, às aulas de tênis. Ela vê uma mudança na postura do garoto, antes agitado em casa e na escola. "Ele falou pra mim que queria vir pra cá praticar tênis. Como mãe, eu motivei. Quando o filho da gente quer alguma coisa, a gente tem que motivar, porque a gente tem que sonhar alto", conta.
 

Estevão, que também é aluno do projeto Jogue Tênis nas Escolas, é um dos que se destacam nas aulas oferecidas na Associação Recreativa dos Empregados dos Correios (Arco). Para Lucas, a motivação de instalar no Ceará dois projetos envolvendo o esporte é, além da paixão pelo tênis, a ausência da prática no Estado.
 

"Eu queria que a criança que nunca tivesse ouvido falar de tênis tivesse esse contato. Saber que todos os que ajudaram o projeto tiveram essa contribuição já me deixou satisfeito. O tênis é pouco falado no Ceará. É sempre no Sul. Por que não no Nordeste? No Ceará?", questiona.
 

Um dos episódios que marcam a rotina das aulas, por exemplo, são as dificuldades financeiras das famílias das crianças, afirma Lucas.
 

"Mães relatando que sobrevivem com R$ 400 com duas crianças... São essas coisas que tocam a gente”, fala o professor. 


“E saber que podemos proporcionar isso a elas, numa atividade extraescolar, nos tornamos um membro da família, é gratificante."  

 

WAGNER MENDES

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