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Retrospectiva 2017: O ano do acesso do futebol cearense

01:30 | 26/12/2017

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Se nos últimos anos os torcedores cearenses, sobretudo dos principais times do Estado, amargaram fracassos e frustrações, 2017 reservou um final de deleite. O fim da temporada dá motivos para que o alvissareiro 2018 vislumbre grandes emoções.


De volta à elite do futebol brasileiro, o Ceará disputará o que tem de melhor no calendário. Do Campeonato Cearense à Série A do Brasileiro, passando pelas copas do Nordeste e do Brasil. Com receita recorde, a expectativa da massa Alvinegra é pela montagem de um grande time.


A parte Tricolor da Capital também teve motivos para festejar. Um time que muitos desacreditavam foi responsável por findar o calvário de oito anos na Série C e recolocar o Leão do Pici na Segunda Divisão, podendo alcançar o acesso à elite no ano de seu Centenário. Antes, a conquista do Estadual é a prioridade.


O ano de 2017 também marcou o ressurgimento do Ferroviário, que, pelo vice-campeonato Estadual, terá calendário completo em 2018. Voltar a disputar competições como a Copa do Brasil, Série D e Nordestão representam a volta por cima.


Falando em novo, o Floresta já mostrou que vai dar trabalho. Campeão da Taça Fares Lopes em cima do Fortaleza, vai disputar a Primeira Divisão Estadual com status de representante local na Copa do Brasil. Isso só em seu terceiro ano após profissionalização do time da Vila Manoel Sátiro, antes amador.


Se 2017 foi a temporada da ascensão, das gratas surpresas e de novas possibilidades, que 2018 seja ainda mais auspicioso ao nosso futebol. O torcedor agradece.

 

CEARÁ


O início de ano não foi tão bom e parecia ser o prenúncio de uma temporada, mais uma vez, frustrante. Ainda pagando pelos erros cometidos em 2016, que custaram a participação na Copa do Nordeste , o Ceará foi eliminado da Copa do Brasil na primeira fase para o modesto Boa Vista-RJ. Fato que culminou na demissão do técnico Gilmar Dal Pozzo ainda em fevereiro, após ser ameaçado e coagido por alguns torcedores. A participação inédita na Primeira Liga não vingou e o clube ficou pelo caminho na fase de grupos.


2017 só foi melhorar de fato em maio, quando o time conquistou o Campeonato Cearense, já sob o comando de Givanildo Oliveira. Era o segundo treinador do time no ano. "Giva" não teve o mesmo sucesso na Série B do Brasileiro, sendo demitido após a 8ª rodada para a chegada de Marcelo Chamusca, o ponto da virada.


O treinador pegou um elenco já montado e conseguiu garantir, com força do coletivo, a eficiência tática necessária para alavancar a campanha e levar o time ao sonhado acesso. Foram 29 jogos, com 16 vitórias, sete empates e só seis derrotas. O 3º lugar conquistado foi a coroação de uma equipe regular.


As últimas temporadas haviam sido marcadas por bons inícios, mas de insucessos no final. Em algumas ocasiões, o time havia terminado o primeiro turno no G-4, mas perdeu fôlego e deixou o acesso escapar. Com Chamusca foi o contrário e o time cresceu no momento mais decisivo, terminando o certame com a 2ª melhor campanha na história (só atrás da de 2009).


Ano que vem os desafios serão maiores. Com Campeonato Cearense, Copa do Nordeste, Copa do Brasil e Série A do Campeonato Brasileiro, o planejamento exige maior capricho e menor margem para erros. Ter conseguido renovar com Chamusca e manter a base do time titular de 2017 foi um acerto da atual gestão, que segue investindo ainda na modernização da infraestrutura e na montagem do elenco. Qualificação necessária para estar à altura dos desafios que virão. 2017 acabou como um ano bom para os Alvinegros e 2018 é chance de mais êxitos.



FORTALEZA


Uma temporada que tinha tudo para dar errado foi, na verdade, a mais vitoriosa do Fortaleza nos últimos oito anos. Mesmo depois de fracassos no início do ano, que fizeram o Tricolor passar o restante dos meses sob desconfiança da torcida, o objetivo maior foi conquistado. Apesar das turbulências dentro e fora de campo, com direito a renúncias de diretorias e grande processo de reformulação, 2017 ficará marcado como o ano em que o Leão do Pici, enfim, deixou a Série C do Campeonato Brasileiro.


Mas se engana quem pensa que a satisfação da torcida leonina veio desde cedo. O péssimo desempenho no primeiro semestre foi motivo de protestos. No Cearense, o clube foi eliminado pelo Ferroviário na semifinal e ainda ficou fora da Copa do Nordeste 2018.


No Nordestão a campanha também foi um fiasco. Com apenas uma vitória nos seis primeiros jogos, o Tricolor foi eliminado na fase de grupos. Não bastando os vexames regionais, o Leão caiu na primeira fase da Copa do Brasil para o desconhecido São Raimundo-PA.


Com os maus resultados, em maio, o clube já ia para o terceiro treinador no ano. Hemerson Maria, que iniciou a temporada, deu lugar a Marquinhos Santos, que foi substituído por Paulo Bonamigo para a disputa da Série C do Campeonato Brasileiro.


As trocas não pararam por aí. A diretoria do então presidente Jorge Mota também não se manteve firme após os ruins resultados e deu lugar à gestão de Luís Eduardo Girão, que trouxe Antônio Carlos Zago. Que se tornou o treinador do acesso.


Mesmo com um time abaixo das expectativas e muito questionado pela campanha, o Fortaleza se classificou ao mata-mata e a vitória por 2 a 0 sobre o Tupi-MG no Castelão, no dia 16 de setembro, garantiu a vantagem necessária para a subida. Mesmo com a derrota por 1 a 0, no jogo de volta, em Juíz de Fora-MG.


O limitado elenco tricolor foi conseguiu o vice-campeonato, sendo derrotado pelo o CSA-AL.Girão renunciou para Marcelo Paz assumir. Ele foi o responsável por contratar Rogério Ceni para comandar o Leão no ano do centenário. Agora, é apostar!


FERROVIÁRIO


Se 1933 foi o ano de fundação do Ferroviário, 2017 foi o de seu renascimento. Nem o mais ardoroso torcedor do Ferrão imaginaria temporada com tantas conquistas. Depois de anos difíceis, disputando a Segunda Divisão Estadual e amargando graves problemas financeiros, o Tubarão da Barra retornou à elite em grande estilo. Ficou com o vice-campeonato e garantiu calendário completo para 2018.


Além do Cearense, o clube disputará a Copa do Nordeste e a Copa do Brasil, sem contar a Série D do Brasileiro. Um ano promissor está por vir e repleto de desafios, que possibilitarão vislumbrar novos horizontes para voltar a ser grande.Se ano passado era um paciente na UTI, hoje o Ferrão tem espírito renovado e sedento por conquistas.

 

FLORESTA


Em 63 anos de existência, o Floresta nunca imaginou a promessa de uma temporada tão promissora para o ano que vem. Isso, graças aos resultados obtidos em 2017. Antes amador, o time da Vila Manoel Sátiro, que está apenas em seu terceiro ano como profissional, alcançou ascensão que deve servir como exemplo.


O vice-campeonato da Série B Estadual levou o time à elite do futebol local. Mais que isso, sagrou-se campeão da Taça Fares Lopes em cima do Fortaleza, assegurando vaga inédita na Copa do Brasil 2018. Tudo isso voltando os investimentos para oportunizar jovens jogadores que anseiam por voos mais altos no futebol.


A estratégia para a temporada do ano que vem seguirá os passos deste ano. Se conseguirá repetir os bons resultados? Só as atuações em campo poderão responder. Certo é que o Floresta quer ser mais do que uma surpresa do bairro.Vontade para mudar não falta aos já vencedores atletas da “Vila”.

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