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Felicidade de primeira

Torcida alvinegra celebrou desembarque do time do Ceará, que no sábado, em Criciúma, garantiu lugar na elite do futebol brasileiro. Festa começou à tarde e atravessou a noite em Porangabuçu

01:30 | 20/11/2017

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Esperar, acompanhar e festejar a equipe que chegava de Criciúma (SC) tendo sacramentado o acesso à Série A do Campeonato Brasileiro, foi uma maratona para a torcida alvinegra. Mas não tinha tempo abafado, empurra-empurra, cerveja quente ou engarrafamento longo que diminuísse a felicidade de ver de perto quem fez do Ceará um time de elite.
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Um tapete alvinegro recobria a Praça do Vaqueiro, em frente ao Terminal de Cargas do Aeroporto Internacional Pinto Martins, no bairro Vila União. Era gente que não cabia na avenida Lauro Vieira Chaves. Era gente que não cabia em si de alegria. Sete meses de nascido e o pequeno alvinegro já olhava estarrecido a massa do alto da cacunda do pai. De gesso na perna, o moço não ligava se há pouco a perna quebrou, ele acelerava a moto em busca de ter vislumbre dos jogadores. De cadeira de rodas, de pés descalços, pingando de calor: nada era empecilho.
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Dona Maria de Fátima, 62, não ligava se as pernas queriam fraquejar. A missão na tarde de ontem era olhar para Magno Alves e Ricardinho. “Quando começa o jogo, já estou em frente à TV, rezando. Rezo por todos, mas endereço meus pedidos principalmente para eles dois”, explica, para logo depois ver a praça explodir de alegria com a abertura dos portões por onde sai o caminhão do Corpo de Bombeiros com a delegação do Vovô. Os olhos marejados de dona Maria podiam, enfim, se encontrar com os ídolos.  Essa noite, como também na anterior, a reza dela foi de agradecimento pelo “time de primeira”.
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Como se o chão fosse pouco, tinha torcedor que subia muro, poste, laje de parada de ônibus, elevava-se mais de 20 metros numa caixa d’água. Bandeiras cobriam estátuas da praça. A de Santos Dumont ganhou chapéu de couro, manto alvinegro e “segurava” um A — a letra em isopor, balões ou gritada pelas bocas dos torcedores era o que mais se via e ouvia. A multidão queria estampar onde quer que fosse a paixão, decorar tudo com a felicidade pelo acesso. Torná-la palpável quando não havia palavras que pudessem explicar a contento.
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Era o jeito pular, cantar, sem esquecer que a euforia de subir também era porque, assim, a arenga com o arquirrival se mantinha. 

“A gente só subiu este ano porque a Série B tava se enchendo de time que a gente não se mistura”, cutuca o aposentado Carlos Alberto Ricardo, 76, em referência ao acesso do Fortaleza para a Segundona.
 

A festa que se formou no sol a pino entrou pela noite, encheu as ruas do Montese, cruzou bairros, e explodiu em Porangabuçu, na sede do clube, fechando a avenida João Pessoa.
 

Cercado pela família “de três gerações de alvinegros”, e também pelo mar de gente que não dava para ver o fim, em frente à sede, o professor Carlos Alberto Souza, 47, mostrava os pelos dos braços arrepiados pela emoção de explicar o que significa a paixão pelo Ceará.
 

“Aqui tem gente que vem com toda dificuldade, de longe, das periferias. O Ceará é uma unidade, é fé, é família. Ir para a Primeira Divisão é mostrar para o Brasil todo o que o torcedor do Ceará está cansado de saber: a gente tem um time grande. Estamos entre os 20, somos a elite do futebol brasileiro, o que mais a gente pode querer da vida?”, resume. (Colaborou Wagner Mendes)

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