VERSÃO IMPRESSA

Bate-papo com o leitor

01:30 | 20/11/2017
Nunca é fácil transmitir uma informação correta e de qualidade ao leitor. Requer profissionalismo, paciência e muita boa vontade do repórter e/ou do órgão, do clube, do governo, da instituição — que são a fonte da notícia. É um trabalho mútuo. Quando uma das partes não cumpre seu papel, dificilmente a entrega do produto final se dá como deveria. Em tempos de extremismos, a proteção física do repórter, seja em qual cobertura for, deve ser prioridade. O que exige organização. A chegada dos jogadores do Ceará ao antigo aeroporto na tarde de ontem é exemplo de quando um dos lados não cumpre seu papel. Com críticas à imprensa, torcedores chegaram a ameaçar o repórter do canal Esporte Interativo, Lucas Catrib. Portadores da notícia cearense não puderam entrar nas dependências do aeroporto para se resguardar fisicamente em um momento de grande tensão. Em meio ao calor das emoções, aliada a goles de bebidas alcoólicas, parte da torcida alvinegra cantava em coro gritos de guerra contra profissionais da imprensa. Misturados aos torcedores, e inibidos pelo que poderia acontecer, jornalistas tentaram, em vão, dialogar com a diretoria do clube. Quarenta minutos de peleja depois, uma escolta policial evitou que o pior acontecesse. Muito depois da confusão presenciada ontem, ainda não se sabe se o ocorrido foi por problemas de comunicação do Ceará, amadorismo ou intencional — o que seria grave. Apesar de ser um problema, o comportamento hostil da torcida não é o principal questionamento. O esperado por jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas era um amparo profissional do clube. Por sorte, a notícia da edição de hoje não narrou um episódio que não estava no script de um dia de alegria para o futebol cearense.

Wagner Mendes,
jornalista do O POVO

ADRIANO NOGUEIRA

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