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MPF denuncia Nuzman e Sérgio Cabral por esquema nos Jogos Rio-2016

Ministério Público Federal denuncia ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil e ex-governador do Rio por esquema na Olimpíada de 2016

01:30 | 19/10/2017

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O rombo de R$ 100 milhões nas contas do Comitê Rio-2016 teria sido provocado pela corrupção e não pela crise econômica. É o que concluem procuradores do Ministério Público Federal (MPF) do Rio de Janeiro, que apresentaram ontem denúncia contra o presidente licenciado da organização e ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman.

 

Investigado na Operação Unfair Play, que apura suposto esquema de compra de votos para o Rio sediar a Olimpíada, Nuzman está sendo acusado de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A denúncia implica ainda o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), o ex-diretor do COB e do Rio-2016 Leonardo Gryner, o empresário Arthur Soares e os senegaleses Lamine e Papa Diack. Segundo o documento, Nuzman e Cabral, “solicitaram diretamente” a Arthur Soares pagamento de 2 milhões de dólares a Papa Diack, filho do ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo, Lamine Diack. De acordo com a Procuradoria, Nuzman, Gryner e Cabral se reuniram em agosto de 2009, em Berlim, durante o Mundial de Atletismo, com Lamine, que teria sugerido tratar de subornos com seu filho.

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O MPF pede reparação aos cofres públicos no valor de R$ 1 bilhão por danos morais, além de R$ 6,34 milhões por danos materiais.


A Olimpíada do Rio foi a primeira em 40 anos a registrar déficit. Em julho, Nuzman foi ao Comitê Olímpico Internacional (COI) tentar convencer a entidade a bancar o rombo. Ouviu “não”, sob justificativa de que não havia como saber a situação das contas do Comitê Organizador. Para o MPF, parte da dívida pode ser explicada por “renúncia de receita”, através de descontos oferecidos a empresa ligada a Arthur Soares “que impactou diretamente no balanço de contas”.

 

DEFESA


Nélio Machado, um dos advogados de Carlos Arthur Nuzman, disse que a denúncia é “fruto de mera criação mental” e que o dirigente “paga pelo sucesso e não pelo fracasso”. Os procuradores equipararam Nuzman e Gryner a funcionários públicos, uma vez que tanto o COB quanto o Rio-2016 receberam verbas públicas e “por delegação” os dois exerciam atividade típica de Estado: o desporto. “Para fugir do vazio acusatório, criaram uma situação esdrúxula de funcionário público que não é funcionário público”, criticou Nélio Machado.


O advogado de Sérgio Cabral, Rodrigo Roca, afirmou que a denúncia é “um acinte”. “Não tenho dúvidas de que em pouco tempo conseguiremos desmontar essa invencionice e mostrar que os verdadeiros criminosos continuam gozando das benesses legais que conseguiram com suas histórias fantasiosas”. A reportagem do jornal O Estado de S.Paulo buscou posicionamento da defesa de Leonardo Gryner, que não retornou. A defesa de Arthur Soares não foi localizada. 

 

Agência Estado

ADRIANO NOGUEIRA

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