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Jornal

Sentimento de pertença

17/06/2017 17:00:00
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A instalação do conselho gestor do Parque do Cocó é o próximo passo da gerência da Unidade de Conservação, recém-criada em Fortaleza. Para o gerente do Parque, Paulo Lira, a participação de segmentos da sociedade contribuirá para fortalecimento do sentimento de “pertencimento e uso sustentável” da área verde.


A composição e o funcionamento do conselho ainda serão definidos. O certo, no entanto, é que não deverá seguir os passos do conselho gestor do Parque Natural das Dunas da Sabiaguaba - área que faz parte da bacia hidrográfica do rio e do vale do Cocó.


O conselho da Sabiaguaba é pouco efetivo no acompanhamento e vigilância às agressões ao Parque municipal que tem 11 anos de existência. A área sofre com invasões constantes (não há cercas) e nem sequer tem uma sede.

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Além do conselho, Paulo Lira aponta a necessidade urgente da elaboração do plano de manejo e retirada de espécies invasoras no bioma. A presença e reprodução de gatos, pontua o gestor, são uma ameaça à fauna do Parque.


Em uma ação de parceria, entre protetores dos gatos e instituições públicas, como Uece e Centro de Zoonose, foi elaborado um Plano de Convivência. De agosto de 2015 a abril de 2017 foram realizadas 63 adoções, 100 castrações e dois mutirões de vacinação/vermifugação.


De acordo com Paulo Lira, até houve a “diminuição dos animais domésticos em situação de abandono”, mas não é a situação ideal. Principalmente no interior da Unidade de Conservação. (Demitri Túlio)

 
OS PRÓXIMOS PASSOS

Após a demarcação, assinada pelo governador Camilo Santana no último dia 4 de junho, quais seriam as medidas necessárias ao Parque do Cocó? O POVO e especialistas (*) fizeram um levantamento das questões mais urgentes.


1. Elaborar o Plano de Uso Público para a Unidade de Conservação, antes do plano de manejo. Para sistematizar o acesso dos visitantes, bicicletas, animais domésticos, sinalizações, mobiliários específicos para o controle do lixo e mapas temáticos em escala de detalhes para as atividades de monitoramento (componentes da natureza e do número de visitantes).


2. No Plano de Uso Público, definir os procedimentos para a utilização das trilhas (diagnóstico para evidenciar os impactos) para interdição dos campos de futebol na área interna do Parque e transferência da atividade para o campo e quadra na área dos shows (Padre Antônio Tomás). Para recuperação do espaço degradado e início do monitoramento das trilhas e dos demais sistemas ambientais relacionados, das práticas de ecoturismo, ações de educação ambiental, atividades de lazer e pesquisa científica.


3. Plano de manejo. Inclusive pensando na ocorrência do guaiamum ou guaiamu (Cardisoma guanhumi), espécie de caranguejo (azul) que se encontra em estado de conservação de vulnerável à extinção, segundo Portaria 445/14, do Ministério do Meio Ambiente.


4. Planejamento para recuperação das áreas degradadas e mapeamento dos pontos de contaminação e contaminadores (esgotos domiciliares, industriais e comerciais).


5. Efetivação de um plano de intervenção (consorciada com os municípios) ao longo de toda bacia hidrográfica (recuperação da mata ciliar e saneamento).


6. Estudo para definir as funções ecológicas do Parque e como deverão ser incorporadas em atividades continuadas de monitoramento.


7. Pesquisa para definir quais os prejuízos à diversidade de paisagens e ao ecossistema manguezal do Cocó com a não inclusão das dunas da Cidade 2000 e demais dunas fixas (com bosques arbóreos). Uma área de aproximadamente 400 hectares.


8. Estudar e propor estratégias de integração das Unidades de Conservação existentes na cidade de Fortaleza e ao longo das bacias hidrográficas dos rios Cocó, Pacoti e Ceará.


9. Delimitar os territórios utilizados pelas comunidades tradicionais de pescadores e marisqueiras e potencializar a relação de sustentabilidade com os ecossistemas manguezal, das dunas, dos lagos e das planícies de maré.


10. Elaboração do inventário oficial de fauna e flora. Substituição programada das espécies invasoras e retirada dos gatos do interior do Parque.


11. Estudo para fechamento do Parque às segundas e terças-feiras para diminuir o impacto do uso na semana, sábado e domingo. Sem prejuízo para atividades que passam, na segunda e terça, a ser feitas no calçadão ao redor do Parque e área dos shows.


(*) O POVO fez levantamento em seu acervo do Banco de Dados e do jornalista Demitri Túlio, ouviu os pesquisadores Jeovah Meireles, geógrafo e professor da Universidade Federal do Ceará, autor dos planos de manejo da Área de Interesse Ecológico do Cocó e do Parque Natural da Sabiaguaba, e também o agrônomo Antônio Sérgio, integrante do Movimento Pró Árvore

 

CONFIRA NO O POVO ONLINE


Os 10 desafios apontados por Paulo Lira, gerente do Parque. E mais: prefeito Roberto Cláudio e a falta de gestão na Arie do Cocó; o custo da demarcação e depoimentos de usuários do Parque especiais.opovo.com.br/parquedococo


Adriano Nogueira

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