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Jornal

Tocheiro engolidor de velas

13/05/2017 01:30:00
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Vem de trás da Capela das Aparições aquele cheiro inconfundível de velas queimando. A coluna de fumaça preta anuncia que estamos mesmo ao lado do tocheiro, como se diz por aqui. Na fila, pagadores de promessas e suas velas que podem medir 1,8 metro de altura. Gente que chega com os braços a não poder mais, ao abarcar, de uma vez só, um feixe delas. De todos os tamanhos e formas, elas queimam rápido e em toneladas nessa espécie de fornalha. Um aviso explica que, dado o volume de pessoas, não há como acender as velas da forma tradicional. Melhor jogá-las diretamente ao fogo, em intenção às graças e pedidos.


Mas as gentes têm seus costumes. Poucos passam e jogam maquinalmente as velas. Muitos, ao risco de queimadura do calor intenso que vem das bocas, equilibram as de menor tamanho nos candelabros deixados para dias de menor público e rezam ali mesmo uma Ave Maria, ventres encostados na beira do tocheiro. Para os que trazem ex-votos de parafina, há um setor especial, espécie de depósito em formato de caixa. Mas aquela senhora francesa, chapéu de palha para proteger a cabeça sem cabelos, resultado da quimioterapia, veio jogar a imagem do seu peito de parafina na fornalha mesmo. É para pedir à Senhora que dê forças ao meu corpo para resistir ao tratamento, ela diz.

 

Adriano Nogueira

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