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Jornal

Orientação de Lúcia para a primeira imagem

13/05/2017 01:30:00

Dois anos depois das aparições, a notícia tinha se espalhado e atraía uma multidão à Cova da Iria, em Fátima. O povo tinha já tratado de construir uma capela muito simples e pequena, mas faltava a imagem da Senhora do Rosário. O devoto Gilberto Fernandes dos Santos tomou a missão nas mãos. Foi a Lisboa para comprar no comércio a imagem, mas não encontrou nada que satisfizesse os requisitos. Voltou com solução em mente. Mandou fazer a santa em Braga, no atelier de imagens e artigos religiosos Teixeira Fanzeres.


O santeiro José Thedim folheou um dos catálogos em uso na Casa Fanzeres e escolheu a imagem da Nossa Senhora da Lapa como modelo de base. O desafio era conseguir reproduzir ao máximo, na peça de cedro do Brasil que ele ia modelando, o relato dos videntes sobre o rosto, a roupa e a posição do corpo da Senhora da Cova da Iria. Olhos pretos, as mãos postas um pouco acima da cintura e delas descendo um terço branco. Branco também o manto que, da cabeça, descia até a orla da saia. Os detalhes eram muitos. Muitas as expectativas também.


Apesar da pressão das autoridades da época, que não viam com bons olhos o que se passava em Fátima, em junho de 1920 a imagem já estava na Capela das Aparições. A vidente Lúcia, no entanto, ao que parece, não gostou, achou barroca demais. Nos anos 50, o santeiro alegou a urgência de um restauro e ajustou o trabalho às críticas de Lúcia: tirou as sandálias, a estrela que ornava o vestido na cintura, afilou o rosto e deixou as roupas mais elegantes. Estava, finalmente, pronta a vera-efígie da Senhora do Rosário de Fátima.


Em 1922, a imagem de Fátima escapou de um primeiro atentado. Salva pela primeira zeladora do lugar, conhecida por Maria da Capelinha, que levava a sério o ofício: a santa dormia na casa dela, todas as noites. As cargas de dinamite, segundo fontes da época, foram postas por maçons e deixaram só as paredes em pé. A capela foi reconstruída, a segurança reforçada, mas os atentados continuam. Ano passado, por exemplo, um jovem entrou de carro no Santuário, bateu na grade de proteção da Capelinha, desceu com um objeto de ferro na mão e tentou quebrar a pancadas a redoma da santa. Sorte, o vidro é inviolável.

Adriano Nogueira

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