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Jornal

Grupos organizados vêm de longe

13/05/2017 01:30:00
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Eles têm todos um agente de viagem e um padre. São os grupos organizados que, como bandos de pássaros, se deslocam para um lado e outro do Santuário. À frente de um guarda-chuva fechado ou uma bandeira do país de origem, eles querem tudo ver. Pelo que O POVO apurou, grande maioria está de passagem para outros destinos religiosos, um programa apertado que os deixa, no máximo, dois dias em Fátima. Depois é Lurdes e, via de regra, buquê final, a Terra Santa, em Jerusalém.

 

Silvia Delgadillo, do México, leva pra onde vai a sua Virgem de Guadalupe, pintada em tecido, que ela exibe como uma bandeira. Mas, foi só o tempo de uma foto, pois já tinha que correr com o resto do grupo para ver o filme oficial do Santuário. A responsável pela viagem, Adriana Lechuga, explica que Nossa Senhora de Fátima e a Virgem de Guadalupe são a mesma, só muda a roupa. Por isso, em todos os santuários que vão, é como se vissem a Senhora de Guadalupe. A prova é o padre Fernando Félix, que, após o filme, chega munido de estoque de santinhos, saco plástico preso na cintura, a distribuir a Senhora dos mexicanos. “É pra quem me pedir”, explica, sorrindo.


Mudança de bandeira. Os 106 franceses vieram em missão de catequese de um grupo de jovens que se prepara para a crisma. De Argelès-Gazost, a apenas 13 quilômetros do Santuário de Lurdes, eles lotaram dois ônibus e fizeram 12 horas de viagem para cumprir uma tradição. A responsável pelo grupo, a portuguesa Maria Arminda Haurine, 50, diz que a ideia é sair de casa e viajar a um lugar santo com espírito de peregrino. “Educar esses meninos para a beleza do que outros fizeram porque tinham fé”, completa. A visita do papa e as comemorações do Centenário, ela e o grupo vão ver em um telão, em transmissão ao vivo, no Santuário de Lurdes.


Os preços altos dos hotéis em Fátima, por estes dias, assustaram e encurtaram a estadia do grupo brasileiro que veio de São José dos Campos, São Paulo. O roteiro religioso vai terminar em Santiago de Compostela, na Espanha. O dono da agência de viagem que traz os brasileiros, Altair d’Ávila, 47, já foi padre franciscano no passado. Por isso, logo que abriu a agência, veio a Fátima e, em Aljustrel, falou com uma sobrinha da vidente Lúcia e pediu que rezasse para que tudo desse certo. Em troca da graça, ele voltaria no Centenário. Deu certo também para Jurema da Conceição Floriano, 76, que se apressou a contar seu milagre. Vim agradecer o pedido para meu filho parar de beber, diz. Desde 2013 não bota uma gota de álcool na boca. Para o agraciado, a mãe leva de presente a imagem benta da santa.

Adriano Nogueira

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