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Jornal

A magia chama

13/05/2017 01:30:00
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Vai-se a Fátima por muitas razões. Nem todas católicas, diga-se. Vezes é levar amigos muito devotos, alguns com dívidas velhas à santa. Outras é levar turistas com lista de coisas a ver em Portugal. Mas, vai-se, sempre. Fátima chama, dizem. Inevitável, deixa-se uma vela acesa, uma Ave-Maria sob encomenda. Às vezes, assiste-se à missa completa, traz-se terço, vidro de água benta. E, nestas idas tantas, sem que se note, o coração amolece. Vez derradeira foi a trabalho. A editora Fátima me expediu. “A santinha já fez muito por mim”, acrescentou. Voltei ao Santuário levando pedidos de orações e textos a escrever. Dessa vez, o lugar transbordava de gente, levas de peregrinos, cheiro de centenas de velas queimando, murmúrio incessante das ladainhas, histórias de graças, lágrimas de emoção, penitentes de joelhos em agonia física da paga da promessa. Explosão de fé que toca. Energia pura. Deixei os agradecimentos das graças alheias aos pés da santa e me atrevi a incomodar Fátima com pedido meu. Novata em devoção, fui conquistada por essa aparição velha de 100 anos. E o distante fenômeno do 13 de maio na Cova da Iria que eu, menina pequena, tantas vezes ouvi abismada, materializou-se para mim. Ficou promessa amarrada nos mistérios de Fátima. As voltas futuras não têm data, tampouco razão. A gente vem porque a magia chama. Isso basta.

 

“Choro de agradecimento por esse coração cheio de luz”


ÂNGELA GUARNEROS, mexicana, devota da Virgem de Guadalupe, manifestando a emoção ao se deparar com a obra de Cristina Leiria para o ano do centenário das aparições

 

Adriano Nogueira

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