VERSÃO IMPRESSA

Design: a nova ponte com o leitor

01:30 | 18/01/2018

O novo projeto gráfico que O POVO estreia aos 90 anos espelha o ofício jornalístico de uma vida. O coração e os pensamentos de um jornal compõem este fazer cotidiano de notícias e interpretações do mundo. A atual mudança visual vem ao encontro do que somos e mais: do que queremos ser. A reelaboração gráfica é parte deste redesenho maior, que muda a estrutura física da Redação, altera as editorias, mexe com as vontades de cada repórter.


“É um reflexo de meses e meses que a gente vem discutindo, inclusive, o fazer jornalístico”, traça Gil Dicelli, editor-executivo do Núcleo de Design Editorial do O POVO. “Foram diversos momentos de imersão profunda, de uma equipe que ficou voltada para isso. Discutimos desde o jornalismo em si ao nosso fazer jornalístico próprio”, soma.


As discussões ocuparam o último ano e geraram um projeto gráfico, totalmente, elaborado pelo O POVO. Gil Dicelli é o autor do projeto. Ele partiu do estudo da letra, “a célula da página”, e percorreu todos os caminhos que pudessem levar a melhores leitura e tradução do mundo. “É um processo longo e profundo”, diz.

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Gil estudou ainda os “jornais mais bem desenhados do mundo, escolhidos pela Society for News Design”, a exemplo do Público (português), The Guardian (britânico) e The New York Times (norte-americano). Queria o essencial do melhor: o equilíbrio entre a reportagem e o design, a adequação ao que o jornalismo demanda. Ícones, brancos, quadros e títulos diferenciados e conteúdos multimídia surpreendem e informam.


O redesenho – amplo – do O POVO conjuga dois verbos principais: pensar e ver. É feito do jornal para o universo dos leitores, do diálogo de seus profissionais para as conectividades possíveis. O projeto gráfico constrói nova ponte entre o presente e o sempre. “(O design) reflete o que a alma do jornal já é: o DNA já é moderno. Quando você olha a tradição, da primeira logomarca de 28, desenhada com um sentido que tinha aquele chicote, vê todas as evoluções gráficas que esse jornal já passou”, demarca. “E eu saúdo todos os designers que passaram por aqui e fizeram uma grande história. Eles fazem parte dessa tradição que chega até a mim hoje. Sempre existiu e sempre vai existir”, conclui.

Por Ana Mary C. Cavalcante


Linha do tempo


Janeiro de 1997

“A primeira grande reforma”, o Projeto Século XXI, marca os 70 anos do O POVO. O jornalismo digital ganha espaço e o impresso, mais cuidado: a cobertura local é valorizada, com a editoria de Cidades migrando para o primeiro caderno. A extinção da editoria de Polícia também sinaliza a preocupação com o fazer jornalístico, tornando-o mais humanizado.

 

Novembro de 2010

Simplicidade era a palavra que acompanhava inovação. E, juntas, apontavam o caminho até a relevância e o localismo: pontos de chegada das mudanças elaboradas em dez meses. Entre as novidades, o conteúdo multimídia fazia ponte com a internet e ícones aproximavam leitor e jornal. A experiência de leitura é ainda mais aprimorada.

 

12 de janeiro de 2014

Após cinco meses de concepção, nascia “um novo jornal de 86 anos”. Informação instantânea e aprofundamento se uniam nos vários meios de comunicação. Texto e análise ganham força. O suplemento dominical DOM é criado, e o caderno Buchicho se torna mais segmentado, com temáticas da gastronomia à decoração.

 

GABRIELLE ZARANZA

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