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Tem festa para brincar em todo canto

O Ciclo Carnavalesco 2017 conta com cerca de 70 atrações em cinco finais de semana de folia em Fortaleza. Nesta edição, a festa momina comemora os 100 anos do samba e homenageia o jornalista Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez

01:30 | 27/01/2017

Eduarda Talicy eduardatalicy@opovo.com.br Igor Cavalcante victorigor@opovo.com.br Começou. É hora de separar a fantasia e deixar o corpo virar Carnaval. Já dava pra sentir a vibração, mas a maior festa de Fortaleza se inicia oficialmente hoje. São mais de mil horas de folia! Cada uma de uma cor, de uma ginga, de um lugar. Desta vez, a Cidade celebra os 100 anos do samba e promete fazer vibrar todo tambor. 

Nos cinco fins de semana de festejo, as ruas se farão palco para receber mais de 70 blocos que desfilarão em 34 bairros. Além dos já tradicionais polos da Praça do Ferreira, Mercado dos Pinhões, Estoril, Largo da Mocinha, Praia de Iracema (Aterrinho), Passeio Público, Aerolândia e Domingos Olímpio, o Ciclo Carnavalesco se amplia. Vai ter festa também no Mercado do Joaquim Távora, no Mercado dos Peixes e na avenida Sargento Hermínio. Homenagens O homenageado do Ciclo Carnavalesco 2017 de Fortaleza é o jornalista Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, um dos mais respeitados pesquisadores da música popular do Brasil. Foi ainda na infância, guardando caixas de fósforo e figurinhas, que surgiu o apego pelas coleções. De lá até aqui, é de Nirez um dos mais completos acervos sobre a história da Cidade.  

Em paralelo, a Cidade vai celebrar um dos mais antigos ritmos do Brasil. Mestiço, como todo mundo por aqui, foi na casa de uma baiana, Tia Ciata, com instrumentos diferentes, que surgiu o primeiro samba, Pelo telefone, de Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga, que completou 100 anos em 2016. E é com Carnaval que Fortaleza quer comemorar esse aniversário. É pra hoje! O bloco Luxo da Aldeia abre a programação oficial da folia, hoje, a partir das 19 horas. A novidade é que a agremiação, que traz no repertório canções de compositores cearenses, está de casa nova e leva os foliões para a Praça do Ferreira. No Mercado dos Pinhões, a festa fica por conta do Samba Batuque da Gente, que também sobe ao palco às 19 horas. 

Amanhã, haverá desfile de blocos e afoxés na Praia de Iracema. Nesta edição, os grupos, que antes saíam do Dragão do Mar, farão concentração na avenida Historiador Raimundo Girão, em frente ao Ideal Clube. Os desfiles seguem pela orla e terminam no Aterrinho, onde haverá apresentação da bateria da escola de samba carioca Estação Primeira de Mangueira. 

Na Praça do Ferreira se apresenta o bloco Concentra Mas Não Sai. Num Ispaia Sinão Ienche, mas pode chegar ao Largo da Mocinha a partir das 18 horas que vai ter festa. Ainda no sábado, no Mercado dos Pinhões, a folia fica por conta do Bloco Glitter, a partir das 16 horas. 

Já no domingo, 29, tem diversão para as crianças com a Charanga do Tio Marcão, às 9 horas, no Passeio Público. O primeiro fim de semana de Pré se encerra com os Tambores Carnavalescos, no Estoril, a partir das 16 horas. E, assim, da festa da lacração a marchinhas tradicionais, nestes dias, a rua deseja a alegria de todo corpo.  

 

Números

 

70 ATRAÇÕES, EM MÉDIA, FARÃO APRESENTAÇÃO EM CINCO FINS DE SEMANA DE FESTA NA CAPITAL  

 

Dicas para curtir os dias de folia sem estresse 

Domitila Andrade, que vai se banhar de glitter 

“Que entra na cabeça, depois toma o corpo e acaba no pé” A festa é de libertar o coração e, como a nossa terra é quente, a liberdade é uma roupa ventilada e o calçado certo. A fantasia pode ser de sereia, capitão ou cigana, mas dê preferência às roupas com bons recortes para a brisa refrescar — se forem de tecidos naturais, melhor ainda, porque eles retêm menos suor e secam facilmente. Acessórios que possam enganchar na multidão podem ser bons para engatar a paquera, mas se forem brincos ou objetos pontiagudos podem também causar incidentes. Para levar o dinheiro, opte por bolsas com zíper ou doleiras, e os documentos, substitua por cópias. No quesito maquiagem, é bom investir em produtos à prova d'água e não exagerar nas camadas — na quentura, tudo derrete. E se a folia for de dia, a velha dica: protetor solar. A proteção dos pés ficam a cargo de sapatos fechados e sem saltos, como tênis, que resguardam de possíveis cacos de vidro e da sujeira. No mais, é lembrar que ter a carne de Carnaval é levar a alegria até quando o aperto da multidão sufoca e aproveitar para extravasar porque é (só) um mês por ano.  

João Marcelo Sena, folião desde que era menino e beduíno 

Para chegar e voltar numa boa Tão importante quanto pular o Pré e o Carnaval em segurança é chegar e sair dele da maneira mais tranquila possível. Independentemente de quais polos sejam escolhidos para a folia, é essencial pensar nas formas de deslocamento pela Cidade. A regra número um já é conhecida, mas necessária de se lembrar: sair de carro dificilmente será uma boa opção. Além das dores de cabeça na hora de estacionar, certamente você transitará em meio a vários outros foliões iguais a você na rua. Para quem pensa em tomar álcool então, dirigir é tão proibido quanto a tristeza nestes 30 dias. A segurança no Carnaval não é só a sua, mas a de todos os foliões. Transporte público é uma ótima alternativa para chegar ao Carnaval de uma maneira rápida e econômica. Ônibus não vão faltar. Para quem quer um pouco mais de conforto, a dualidade táxi/Uber está aí para satisfazer a todos os corações mominos. Agora vale outra dica importante para quem vai usar o serviço por aplicativo de celular: verifique a estimativa do preço da corrida antes de embarcar para não ter uma ressaca financeira ao final do trajeto. 

Rômulo Costa, que espera até agora ensaio do Sanatório 

A gente e muitos outros Carnaval é feito de algumas certezas. Tem espaço para as fantasias, o som contagiante das batucadas e também para todas as gentes. Quem sai para viver as alegrias do Carnaval deve saber também que vai estar perto de uma multidão — por vezes pequena, outras vezes grande, mas sempre uma multidão. Isso, claro, deve orientar os passos antes de se enfeitar de folia e cair na dança. A primeira coisa é saber que encontrar os amigos nem sempre é tão fácil assim quando as pessoas se aglomeram e você não pode contar com o sinal dos telefones, por exemplo. A dica é marcar, com antecedência, em um lugar mais tranquilo para que ninguém se perca. Quando a festa começar, é tempo de se reconhecer no outro. Experimentar encontros, estar aberto para os novos amigos e entrar no clima da molecagem que os dias permitem. Isso sem esquecer das gentilezas. O legal é ter na cabeça que você não vai encontrar só as pessoas da sua turma. Que todo mundo tem direito e vontade de viver o Carnaval. É a nossa chance de aprender a perceber o diferente como parte de nós. Talvez esse seja um bom exercício para se levar para o resto do ano. 

 

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