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Ceará. A folia que resiste no interior

Mesmo com as dificuldades que a maior seca da história do Estado impõe, Carnaval no Interior tem opções para quem não quer viver a folia na Capital. Seja no Litoral, Serra ou Sertão, muitas cidades prometem festa nos mais variados estilos nos quatro dias de festa

01:30 | 23/02/2017

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É possível que eles não tenham a mesma força ou investimento de outrora. Mas é inegável o poder de mobilização que os Carnavais do interior do Estado ainda possuem. Seja no Litoral, Serra ou Sertão, a folia segue forte longe da Capital.
 

Assim como no ano passado, a maior seca da história do Ceará é fator determinante para que o Carnaval não aconteça em várias partes do Estado. Muitos municípios com situação de emergência econômica declarada em decorrência da estiagem atenderam pedido do Ministério Público Estadual (MPCE) para que não realizassem a festa neste ano. O próprio governador Camilo Santana (PT) vedou, via decreto, patrocínio público para o Carnaval.
No entanto, não faltam cidades que apostam no período momino como forma de obter retorno econômico.
 

Polos tradicionais seguem como destinos visados. O Litoral conta com a folia à beira-mar para arrastar foliões e turistas. Carnavais famosos como Aracati, Camocim e Paracuru prometem a grande festa de costume com shows e trio elétricos. Em Beberibe, os paredões de som ficam a cargo de aumentar o número de decibéis e fazer muita gente dançar.
 

A variedade de ritmos e estilos de festa dá a tônica no Estado. Se há quem prefira agitações maiores, a tranquilidade do Festival de Jazz & Blues de Guaramiranga também tem adeptos. Ou mesmo marchinhas, blocos e escolas de samba tradicionais como a Unidos do Roçado de Dentro, de Várzea Alegre.
 

Com diferentes portes de investimento, a festa acontece. Em Granja, a opção foi por apostar em atrações de fama nacional, com Luan Santana puxando a festa para atrair foliões locais e turistas.
 

No entanto, a tendência geral é que as cidades tenham bandas e artistas de cachês menos robustos que em outros tempos. Em algumas delas, as prefeituras atuam dando suporte logístico de limpeza, segurança e saúde para, em parceria com iniciativas privadas, realizar a festa nos quatro dias. Nada, porém, que impeça a folia em todos os cantos do Estado. 

 

EU VOU!


Magnum Pereira,
31,
agrônomo. Vai para Ubajara
 

Ubajara é uma cidade bem tranquila. Vamos com um casal de amigos que gostam da mesma coisa. Lá tem opções como o Parque Nacional, restaurantes. Além de facilidades como estar perto de outras cidades como Viçosa, Tianguá, Ibiapina. Tem também Guaramiranga, que já é mais movimentada por conta do Festival de Jazz & Blues. A gente gosta mais do sossego. Acho que tudo é fase. Tô em uma fase de aquietar e procurar coisas mais tranquilas. Quando sentir vontade de algo mais agitado, vou em busca de outros Carnavais.
 

Luanna Rodrigues, 41, administradora. Vai para a Taíba


Meu marido e meu filho são surfistas. A Taíba é o point de surfe deles e é um lugar que a gente sempre costuma ir nos feriados. Já passei o Carnaval outro ano lá e é um lugar super agradável. No final de tarde sempre tem alguma coisa na pracinha. É um Carnaval bem cearense mesmo. Tem paredão e tem bloquinho. É onde tem animação e dá pra passar de uma maneira tranquila.
Mayke Lopes, 24, consultor de vendas. Vai para Granja
 

Vou principalmente pela segurança. Vou para lá desde 2009 e quase não tem confusão. Tem também o Luan Santana, que é a principal atração do Carnaval. Moro em Sobral que é perto, mas tenho família em Granja e fico na casa de parentes. Além disso, o Beira-Rio (local dos shows) foi todo restaurado e não tem mais a areia que tinha antes. Tô me organizando para encontrar uns amigos a partir do domingo. 

 

FESTA EM TEMPO DE ESTIAGEM
A tendência geral é que as cidades tenham bandas e artistas de cachês menos robustos que em outros tempos 

JOÃO MARCELO SENA

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