PUBLICIDADE
Jornal

Olhar permanente

08/05/2017 01:30:00

A seca é a cartilha dos sertões, uma lição pela falta, aprendem sertanejos e Estado. Na lida com o tempo, o sertanejo se adapta à pouca água, reinventa modos de sustentar-se. “O grande aprendizado é que recursos hídricos e seca são uma coisa que precisa ser olhada permanentemente. Permanentemente, tem que ser estudada, planejada, avaliada de acordo com seus objetivos. O Ceará tem estado nesse caminho”, dialoga o governador Camilo Santana (PT), em entrevista por telefone.


Para o governador, há necessidade de políticas de médio e longo prazos, e o Estado caminha, historicamente, até elas: “Estou falando de governos que sempre se preocuparam em planejar a questão hídrica. Há mais de dez anos, se planejou o Eixão das Águas. Em nível de Governo Federal, se planejou a transposição (do rio São Francisco)”. O Ceará tem avançado na convivência com a estiagem, sublinha Camilo Santana, “fruto também da experiência, de políticas de reuso de água”.


Neste sentido, assinala o governador, a construção de uma unidade de dessalinização (para aproveitar a água do mar) é um caminho próximo: “Este ano, se Deus quiser, vamos decidir qual a empresa que vai fazer o investimento”. Também o reuso da água do esgoto da Capital pela indústria e a construção do Cinturão das Águas do Ceará são projetos que devem conduzir a travessia por “essa situação mais crítica que o Ceará tem enfrentado nestes últimos anos”.


Sobre o Cinturão, obra estruturante, o governador planeja “concluir, até o final do ano, 53 quilômetros, que são o trecho que vamos utilizar para trazer água do São Francisco (com a transposição)... A grande angústia é a retomada da obra da transposição, que é o que vai nos dar segurança para enfrentar a situação neste ano de 2017 e 2018”.


Ainda para remediar os danos da estiagem que se prolonga desde 2012, cita Camilo Santana, as ações são emergenciais: a partir de 2015, quando assumiu o governo do Estado, foram perfurados mais de três mil poços e implementados mais de 330 quilômetros de adutoras no Ceará. Chafarizes, sistemas de dessalinização e de reuso de água e cisternas compõem mais números deste quadro. Uma “ação inovadora, no Brasil, trouxemos até uma máquina do Arizona (EUA)”, ele ressalta, é desenvolvida no Cumbuco: a perfuração de poços horizontais (investimento de R$ 8 milhões).


No meio do caminho, estão Fortaleza e Região Metropolitana. “A grande preocupação”, demarca o governador. A Capital e o redor ficaram à beira de um racionamento de água em 2016, mas a seca ainda parece distante do cotidiano fora do sertão. “As pessoas de Fortaleza não imaginam que a água passa 250 quilômetros para chegar aqui. Não imaginam o que tornou possível essa água chegar aqui”, contrapõe Camilo Santana.


O governador diz dialogar com o prefeito Roberto Cláudio (PDT) sobre o reuso da água e a redução do consumo e do desperdício. “Essa cultura precisa ser implementada tanto pelo poder público como pela iniciativa privada... Precisamos estimular para que as pessoas possam olhar a água como um bem precioso. Isso precisa estar inserido na cultura da sociedade cearense”, conclui. (Ana Mary C. Cavalcante)



Adriano Nogueira

TAGS