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Dança movimento vivo

Com espetáculos de diversos estilos e temáticas, a programação de dança oferece um passeio pelas possibilidades do corpo

01:30 | 13/06/2018
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De todas as curadorias em que esteve envolvido, o jornalista Ivonilo Praciano conta que uma de suas favoritas é a de dança. A explicação é a imensa variedade de atrações que essa programação envolve: “A quantidade de opções que estamos ofertando ao público é inacreditável e inclui quadrilha, maracatu, dança coletiva e tantas outras que ficarão por muito tempo na memória”, diz.

 

O projeto curatorial para essa linguagem, segundo Ivonilo, se inspirou nas edições anteriores do Festival, sem tirar o olho das novidades. “A pesquisa do nosso grupo, somada ao que aprendemos nas outras edições, serviu, de forma expansiva, para construir esse espírito de igualdade e de festa. Todos vão poder curtir. As linguagens estão de braços abertos para todos os setores. Em dança, posso contar que a transversalidade vai unir público e artistas”, explica.

 

A proposta de transversalidade citada por Ivonilo quer transformar a plateia em participante da festa. “Pensamos o Festival para conversar, para gerar intimidade com o público. Por isso há ambientes de diálogo com artistas. Com a dança não é diferente. Precisamos desse momento. Precisamos que todos se sintam mais à vontade com a dança. Dançar é viver”, comenta.

 

O ritmo da música

Cinco canções para um coração vagabundo, Balé J.A.N, Dança de Shiva e Shakti são alguns dos espetáculos que dança que poderão ser conferidos na programação do Festival Vida&Arte. Em horários distintos e lugares separados, as danças vão dominar o evento, que já seria colorido suficiente. “Com a música, então, tudo fica melhor”, destaca Janne Ruth, diretora do grupo BCAD e organizadora do balé O quinze, baseado na obra da Raquel de Queiroz.

 

“Vamos apresentar um balé que passa pelo forró e pelas dores do corpo. E a história contada será a da seca de 1915, que não foi algo bom mas que nos trouxe obra da Rachel de Queiroz, que nos inspira a reinventar e continuar lutando. Nós, nordestinos, temos essa garra de mostrar resistência, de mostrar que somos fortes. Nossa dança vai tratar exatamente disso”, comenta a artista.

 

Janne, que já tinha participado das edições anteriores do Festival, se emociona ao comentar esse novo momento. “O nosso Ceará vai ser contemplado em todas as áreas, todas as vertentes das artes cênicas. Vamos mostrar isso com corpo e alma. E isso é belíssimo. Mesmo com todas as dificuldades que nós passamos, vamos desenvolver esse momento de arte e sentir o que há de melhor na nossa linguagem”, conta.

 

O dançarino Erick Barbosa, da Quadrilha Babaçu, também aponta que a linguagem nordestina precisa e deve ser valorizada. Baseada nisso, sua quadrilha preparou apresentação baseada na força do nordestino que, apesar de todas as dificuldades, encontra meios para superar os desafios. “A chance de participar de um evento como esse garante uma paixão maior para com o nosso grupo. Estamos felizes e ansiosos para ressaltar essa temática dos nordestinos trabalhadores, que não desistem e se mostram fortes como as nossas artes cênicas. É uma união maravilhosa”, comenta com ansiedade.

 

Os vários formatos do balé

Parabach é uma criação de Cláudio Bernardo, coreógrafo cearense radicado na Bélgica e tem inspiração na trajetória do grupo homônimo que na década de 1990 dançava forró e que, com a participação do bailarino Flávio Sampaio, tornou-se uma das mais atuantes companhias de dança do Estado. “Temos um histórico incrível. Esperamos que esse momento afete as pessoas na compreensão de que sem arte a vida é insuportável”, diz Flávio.

 

“Nesse momento de convulsão social e desatino político, em que arte e a cultura são relegadas a contornos inferiores, realizar um festival de arte dessa magnitude significa resistência”, conta Flávio, emocionado pelo convite.

 

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