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Jornal

São Francisco e a peleja da água

11/09/2017 01:30:00

A transposição do São Francisco é contada no O POVO,em grandes reportagens etnográficas, desde quando as intenções eram só papel. Travessia do rio de nascente a foz, ver até onde resistiria. Desenhos de futuros canais para o Velho Chico se confirmando. Outros Nordestes precisando dele. Até que o céu esquenta numa grande estiagem, a maior de quase um século. Chuvas que não encheram rios nem barragens. O planeta virou seca. Bateu a peleja por água. Na marca centenária de um grande romance cearense: Os Quinzes. Obras da transposição a caminho, apesar de crises políticas e econômicas. Até peixes já sem água. Mas qualquer pingo do céu desfaz saudade de inverno. O afeto sertanejo não desagradece. Peleja sempre haverá. 

 

PROJETO GRÁFICO
Do barro ao concreto,
uma leitura visual
A cada especial, o desafio e o prazer de dar feição ao conteúdo. A identidade visual de mais este suplemento da série A Peleja da Água é moldada no barro, rastro simbólico do rio que chega às terras devastadas pela estiagem. Esse encontro delineia vidas, santos, bichos, imagens. Memória ancestral de onde viemos e pra onde vamos, em meio ao aparato do concreto e da tecnologia de uma mega-obra dessa natureza. Nesse cenário, convidei o artista plástico Carlus Campos para dar vida às esculturas deste suplemento. Paredes laterais em argila guiam o fluxo do conteúdo das páginas, orientam a navegação e registram, através dos desenhos no barro, as várias narrativas. A tipografia vernacular, em títulos e detalhes, dialoga e referencia um povo. Colunas de textos têm desenhos inspirados no canal que contorna chãos e traz a água. É a nossa tradução.

GIL DICELLI

Editor-Executivo do Núcleo de Imagem 

 

WEBDOC 


A reinvenção da carranca
 

O webdoc que integra este projeto especial pega a estrada e nela segue encantado com a paisagem. Ou as paisagens, para ser preciso. Tanto a geográfica, rodovia após rodovia, quanto a humana. Em ambas, sobressaem-se as modificações que as águas do Velho Chico anunciam, impõem, frustram ou alimentam. Tanto uma quanto a outra enchem nossa tela para nela escorrer suas narrativas. Rotas alteradas pelo novo trajeto, ainda em processo. Assim com a carranca, ícone máximo do rio São Francisco, rompe com a miudez do barro que lhe dá forma e se reinventa numa outra natureza.

ÉMERSON MARANHÃO
Editor de Conteúdo do Núcleo Audiovisual 

 

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