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O futuro incerto e os desafios da nossa indústria

00:00 | 24/06/2018
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POR PYR MARCONDES
 
JORNALISTA, CONSULTOR E AUTOR. ATUALMENTE É DIRETOR GERAL DA M&M CONSULTING, EMPRESA DE CONSULTORIA E NEGÓCIOS PARA A INDÚSTRIA DE MARKETING DIGITAL
 
 
Falar sobre o futuro no aniversário de 90 anos de um jornal no Brasil é uma honra. Pelo mérito do feito de chegar tão longe, num País de tantas dificuldades.
 
 
Mas é também uma tarefa difícil. Isso porque não se fazem mais futuros como antigamente.
 
 
Quando O POVO nasceu, prever o que viria era um pouquinho mais fácil. Adivinhar com precisão o futuro sempre foi impossível para os homens, mas o futuro de um século atrás era mais previsível. Isso porque o ritmo das transformações era outro.
 
 
Ele se acelerou de forma a praticamente não nos reconhecermos mais quando olhamos o presente por conta da chamada Era Digital. Isso se deu a partir do computador pessoal, do aumento da capacidade de processamento de dados e da internet. Estamos falando dos anos 1980 e 1990, basicamente. Aí, a realidade aparentemente se descolou de qualquer previsão e, hoje, parece que navegamos em direção a um futuro sem rosto, porque fundamentalmente irreconhecível.
 
 
Mas os homens insistem, ainda assim, em tentar prever os acontecimentos. É o que vou fazer rapidamente aqui.
 
 
A Indústria da Comunicação – Como muitos outros setores da economia, ela vive um momento de ruptura. O legado da tradição, em que pese sua relevância, seu nome e sua marca, embora sigam com imenso valor de credibilidade e profissionalismo, não são mais suficientes para enfrentar os novos desafios, fundamentalmente ligados aos avanços cada vez mais velozes da transformação digital e da inovação tecnológica. Os grupos de comunicação terão que atravessar essas duas pontes para sobreviver.
 
 
Reinventar-se digital e tecnologicamente, buscando, ao mesmo tempo, não perder de vista seu passado em definitivo. Isso só é possível de um jeito, que no mundo da tecnologia se convencionou chamar de bimodal. Você mantém a empresa com o legado operando (Modo 1) e constrói outra (Modo 2), contemporânea, mais ágil, dotada de alta capacidade de processamento de dados, tecnologicamente evoluída e, do ponto de vista de negócios, operando em novas bases e linhas de receita. Fazer esse movimento duplo e, aparentemente ambíguo, é, por um lado, altamente desafiador (e, infelizmente, para algumas empresas, impossível); por outro, vital. É como passar de fase num game: ou você passa ou morre. Sendo que, ao contrário dos games, no jogo da vida real não dá para começar novamente.
 
 
O Modelo de Negócios – A Indústria da Comunicação viveu décadas no Brasil fundamentada em um sólido, eficaz e rentável (para todos os elos da cadeia) modelo de negócios. Pois esse modelo dá claras mostras de fragilidade e passa hoje por inevitável transformação. O papel das agências de propaganda, a antiga e próspera aliança entre elas e os anunciantes bem como a tradicional relevância dos grupos de comunicação e mídia, tudo isso sofre hoje acelerada erosão. Há na mesa uma clara demanda por novas fontes de receita e um jeito inovador de fazer negócios. Uma vez mais, reinventar-seou perder o seu papel na história.
 
 
O Jornalismo – Por fim, mas nunca por último, a atividade que escolhi abraçar já aos 16 anos de idade, antes mesmo de cursar a faculdade, já lá se vão 45 anos. Seguirá altamente relevante e cada vez mais balizador da verdade, num momento de explosão da mentira. Nas redes sociais e na sociedade em geral. O Jornalismo sério, competente e honesto seguirá tendo espaço e será sempre o grande parâmetro para a informação de qualidade. Temo que apenas para uma camada da população, cujo tamanho não consigo dimensionar. Fato é que, sem ele, perdemos o farol. E sem farol, a navegação rumo ao futuro ficará inquestionavelmente ainda mais incerta.
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