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Fazer jornalismo por e para pessoas

00:00 | 24/06/2018
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POR JOSÉ ORENSTEIN
 
EDITOR-EXECUTIVO DO NEXO JORNAL

 
O futuro do jornalismo está no passado. Vai sempre estar. Porque o ato de uma pessoa contar uma história para outra pessoa continua sendo o que nos define como humanos. E o jornalismo, uma invenção da modernidade, se valeu disso para se tornar um pilar fundamental das democracias.
 
 
Livros, filmes, séries ou mesmo propagandas também contam histórias. A diferença é que o jornalismo envolve uma ética e uma técnica específica: um compromisso público de rigor e equilíbrio. Certo, contar histórias – seguindo esses critérios – permanece o traço distintivo do jornalismo. Mas o desafio, hoje, nessa profissão é lembrar que ela requer pessoas. Nas duas pontas: tanto do lado de quem produz jornalismo como do lado de quem o consome. Essa é uma ideia que pode parecer banal, mas, na era digital, ela precisa ser reforçada.
 
 
Cada vez mais nos informamos pelas redes sociais. A timeline do Facebook, do
Twitter, o feed do YouTube, do Instagram ou do Snapchat funcionam como a primeira página do jornal para muita gente. As notícias e os conteúdos que aparecem ali foram selecionados por algoritmos, programas de computador – escritos por pessoas, é verdade, mas sem nenhum compromisso público de rigor, objetividade e isenção. Isso tem aberto espaço para a proliferação das famigeradas fake news, um problema que gera graves repercussões políticas, mas que poderia ser reduzido ou mesmo eliminado se houvesse por trás das redes sociais (que na prática hoje são empresas de mídia) pessoas – editores profissionais que seguem critérios jornalísticos.
 
 
Nesse sentido, é decisivo para os meios de comunicação cultivarem a transparência de objetivos e critérios, que é, no longo prazo, peça-chave na construção da sua credibilidade. É preciso mostrar ao leitor, espectador ou ouvinte que há pessoas, jornalistas profissionais, produzindo aquela informação que se lê, vê ou ouve.
 
 
Por outro lado, hoje quem faz jornalismo profissional está, mais do que nunca, em contato direto com público. Se antes, no tempo do monopólio do jornal impresso e das TVs, esse público era praticamente uma abstração sem rosto ou nome, agora ele é ativo e presente. Pode comentar, compartilhar, xingar ou curtir quase que de forma instantânea a publicação de um conteúdo. O jornalismo deve dialogar com seu público, com as pessoas para quem, afinal, ele trabalha.
 
 
E, de novo, é importante aqui ressaltar as pessoas, num momento em que vemos de perfis falsos operados por robôs, geralmente com algum propósito político ou comercial, se espalhando pelas redes. É preciso garantir que exista um nome por trás de cada opinião e conversa em torno do noticiário. Isso é tarefa, em parte, das plataformas das redes sociais, e em parte também do jornalismo, que deve fortalecer a relação com o seu leitor, espectador, ouvinte para que possa, de fato, qualificar o debate público.

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