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Carta da Presidente

00:00 | 24/06/2018

Junte quantos publishers puder ao redor do mundo em busca de respostas para o futuro do negócio jornal. O repertório, decerto, será múltiplo. As leituras de cenário, inúmeras. As figuras de linguagem, as mais diversas. Irão até contemporizar. Fico com a pena de Bukowski. Pura, dura, sem complacências.
 

Apenas um pouco de lanterna na popa para, em seguida, levá-la à proa. No caso brasileiro, houve algo como duas bombas químicas aspergidas ao mesmo tempo. Fomos atingidos pela conjunção mortífera de duas crises. Uma de natureza conjuntural, vide a tragédia político-econômica que vivemos, e outra de caráter estrutural, alimentada pela revolução digital.
 

Erra quem separa os ambientes e não os encara como um ecossistema, como já ensinara Rosental. Em um mapa com posições estáticas, éramos os ditos mediadores na relação entre os leitores e os fatos. Ainda somos em larga medida, mas não apenas. Reparem. O papel não mudou, tornou-se mais sofisticado. O público criou seus próprios púlpitos ou ocupou novos e, assim, acabou por ressignificar o sentido da mediação. Se antes exercíamos o papel de canal, hoje somos, além de canal, depuradores em uma floresta de falsas notícias.
 
Não há mágica. Mudam as plataformas, nascem e morrem veículos, brotam e sucumbem tendências, mas os fundamentos seguem intactos. O bom jornalismo, feito conforme os preceitos de qualidade – leia-se primeiro a ética –, é um produto caro, refinado e sempre em sintonia com o interesse público. Há um propósito. Portanto, acima da efemeridade do poder político ou às pressões do poder econômico.
 

É a chancela de uma marca de prestígio que afiança aquilo que o público enxerga em meio à avalanche. Buscar um veículo credibilidade é o filtro – aqui lido no sentido nobre da palavra – do qual dispõe a sociedade. O debate, a meu ver, voa para o modelo de negócio. Encontrar um que sustente a operação.
 
 
Esta fase, em vez de assustar, fascina. Quem está firme nos fundamentos se fortalece. É o nosso negócio: apurar, redigir, editar e distribuir conteúdos com rigor e talento, respeitando o público. Isso explica por que aqui no O POVO vemos estes 90 anos pregressos como um ativo importante, validador de credibilidade e indicador de nossos compromissos editoriais com o público, mas não como uma esteira. Os %2b10 ao qual nos referimos é um cabo eletrificado ligado no chão a dizer a todo instante: – Olhem para frente.
 
POR LUCIANA DUMMAR
PRESIDENTE E EDITORA DO O POVO
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