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Notícias

Aos 90, O POVO se compromete em fornecer os "dados nutricionais" das notícias

00:00 | 24/06/2018
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POR ÂNGELA PIMENTA

 
PRESIDENTE DO PROJOR – INSTITUTO PARA O DESENVOLVIMENTO DO JORNALISMO – E
COORDENADORA-EXECUTIVA DO PROJETO CREDIBILIDADE

 
O que torna o ofício de apurar, editar e publicar notícias – que, por sua vez, vem alimentar análises e opiniões – a prática consistente do bom jornalismo? E como enfrentar os novos desafios jornalísticos? Em resumo: a revolução digital (que reduz receitas e exige investimentos), a polarização política da sociedade civil e a produção de conteúdo fraudulento.
 
 
A resposta para a primeira pergunta – adotar e manter princípios éticos e padrões de excelência editorial – se mantém essencialmente inalterada nos últimos 90 anos. Mas provavelmente Demócrito Rocha, que fundou O POVO em 1928, se espantaria com os novos desafios do diário. Reconheça-se que fazer jornalismo em tempos turbulentos não é novidade para este jornal pertencente e gerido por um grupo cearense de comunicação. Por si só, tal feito é digno de celebração.
 
 
Num breve retrospecto nacional, aos dois anos de vida, em 1930, O POVO presenciava o início da era Vargas. Depois, veio a Segunda Guerra Mundial (1940-1945), o governo JK (1956-1961) e a construção de Brasília, que impulsionaria o desenvolvimento do Norte e do Nordeste, reduzindo desde então a hegemonia do centro-sul do País. Ao completar 40 anos, em 1968, O POVO amargava a censura e o arbítrio impostos pela ditadura militar.
 
 
Marcadas pela redemocratização e os governos FHC e Lula, as páginas e o site do O POVO refletiram as três últimas décadas em que se destacam o Plano Real, a redução da desigualdade e o crescimento econômico, alternado a recessões agudas. Hoje, na sequência do impeachment de Dilma Rousseff, nosso sistema político disfuncional caminha possivelmente para a eleição presidencial mais competitiva desde 1989. Cobri-la em profundidade, com isenção e diversidade de vozes, é um grande desafio na era digital.
 
 
Até aqui, O POVO tem dado conta da missão. Além de cobrir o panorama nacional, tem informado sobre temas de interesse público local, tais como a situação fiscal do Ceará – hoje a melhor do País –, o avanço da educação básica – outro destaque – e a transposição do São Francisco. Tem coberto também misérias locais, como o trabalho escravo em Jijoca de Jericoacoara e o desmatamento ilegal no Cariri.
 
 
Para enfrentar seus crescentes desafios editoriais, desde 2017 o jornal integra o Projeto Credibilidade www.credibilidade.org, o capítulo brasileiro de The Trust Project www.thetrustproject.org. Coordenado pelo professor Francisco Belda, da Unesp, e por mim, o projeto visa aumentar a transparência da produção jornalística por meio de um sistema de indicadores digitais.
 
 
Trocando em miúdos, ao aderir ao projeto, O POVO se comprometeu a gradativamente publicar informações sobre sua estrutura societária, missão, expertise de autores, políticas para apuração, uso do sigilo da fonte, checagem, admissão e correção de erros, diversidade de vozes e feedback acionável, entre outros indicadores. São os “dados nutricionais” da notícia, cada vez mais exigidos pelo público. Espera-se que, ao completar 100 anos, em 2028, O POVO siga à altura de sua missão.
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