PUBLICIDADE
Jornal

Judiciário sob nova direção

01/02/2019 03:46:38

O desembargador Washington Araújo toma posse amanhã à tarde, a partir das 16 horas, como presidente do Tribunal de Justiça para o biênio 2019/2020. Receberá o cargo de Gladyson Pontes, a quem enche de elogios pela capacidade administrativa e pelas transformações que considera terem sido operadas nos últimos anos. "É um grande gestor. Sou fã, um admirador dele", afirma, cuja chegada à função consolida uma mudança importante no processo de escolha dos diretores do Judiciário cearense, exigindo-se dos eleitos mais do que apenas capacidade de articulação política interna entre os colegas. A capacidade do eleito gestor também passa a ter influência e ser ressaltada.

Gladyson foi o primeiro presidente do TJ a ter um MBA de Gestão Pública, herança de seu tempo pré-magistratura, quando era advogado do Banco do Brasil. Por iniciativa sua, a Escola de Magistratura do Ceará (Esmec) ofertou curso do tipo, no qual encontram-se matriculados, hoje, 26 desembargadores, dentre eles o próprio Washington Araújo que o sucederá na presidência do Tribunal. Há, ainda, 14 servidores também frequentando o MBA da Esmec, dentro de um esforço de formar um autêntico "banco de talentos", do qual espera-se que saiam os futuros dirigentes.

O próprio Washington Araújo ressalta a diferença que há hoje em relação a como acontecia antes. "O que acontecia antes", segundo ele, "é que um belo dia o cidadão era eleito, tomava posse, no dia seguinte ia para presidência e então começava a perguntar: o que tenho para fazer? Ou seja, sequer tinha um plano de gestão". Vice na gestão Gladyson, o futuro presidente fala com entusiasmo de tudo o que foi feito no último biênio, em termos de reorganização administrativa. Com a casa arrumada, considera importante focar, agora, na melhoria de eficiência do serviço prestado à população.

Na cúpula do Judiciário, o desembargador considera que o que cabia ao Poder foi feito dentro do esforço das forças públicas, no Ceará, de enfrentarem a ameaça do crime organizado através dos ataques que começaram em 2 de janeiro e vieram a cessar apenas nos últimos dias, apesar de um registro isolado ou outro. "É preciso ficar bem claro que o Judiciário não faz política pública, ele é parte no ponto em que atua como executor da pena", diz Washington Araújo que, mesmo assim, ressalta que a ação de dotar as comarcas com um sistema de videomonitoramento foi importante dentro da estratégia de esvaziar unidades prisionais do Interior problemáticas.

Na magistratura desde 1992, ele lembra, quando de seu início pela comarca de Beberibe, de uma época em que o juiz era "quase que um artesão", era necessário "construir cada sentença". Conforme sua memória, um tempo em que o Judiciário não dava condição nenhuma de trabalho, muito diferente do quadro atual que, mesmo assim, mantém deficiências estruturais que Washington Araújo promete enfrentar a partir de sua posse como presidente.

TAGS