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Prática do equilíbrio

00:00 | 31/12/2017

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Há dois anos, a analista de sistemas Patrícia Landim, 41, tem se debruçado sobre o Mindfulness e terminado os dias de trabalho menos exausta, sem “aquela sensação de não ter feito”. “Eu já vejo melhora na minha produtividade por conta das técnicas. Sempre que posso respiro, sinto meu corpo, deixo a preocupação do que não dá pra resolver agora pra depois. O estresse acaba te dando um cansaço, consome a sua energia ao final do dia”, narra. A proximidade com o estado de “Atenção Plena” começou com a leitura do livro “O Poder do Agora”, de Eckhart Tolle. Quando conheceu o Centro Cearense de Mindfulness pode, de fato, expandir as técnicas iniciadas com a meditação, da qual já era praticante. 

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“É maravilhoso, até já trouxe o Áthila (fundador do Centro Cearense de Mindfulness) para dar palestra no meu trabalho e apresentar às pessoas. Assim como me fez muito bem, queria que outras pessoas conhecessem. Temos a ideia de implantar aqui (no trabalho), pra trazer resultados disso no dia a dia”, explica a analista. Patrícia participou este ano de um curso de oito semanas no Centro Cearense e passou, cada vez mais, a utilizar o Mindfulness como ferramenta de autoconhecimento.
 

“Eu achava que não era uma pessoa ansiosa, sempre dizia, mas quando pratiquei as técnicas descobri que eu era, sim, ansiosa. Você começa a conseguir lidar melhor, começa a escutar mais os corpos, saber os limites do seu corpo e a questão do foco, da concentração. Hoje, eu acho que sou uma pessoa mais tranquila com relação a saber lidar com minhas emoções, relata ela.
 

De acordo com Marina Neumann, o Mindfulness está alinhado ao perfil de “pessoas mais conscientes e compassivas” buscado por companhias. “Líderes que não somente alcançam seus resultados e metas, mas que buscam também o melhor para si, para a própria empresa e para a sociedade de um modo mais amplo”, diz.
 

EM FORTALEZA
 

O Centro Cearense de Mindfulness foi fundado em 2014, com o objetivo de divulgar técnicas e pesquisas relacionadas às práticas. Em aulas introdutórias gratuitas, são elucidados os conceitos para a formação posterior de turmas, com cerca de 25 alunos, e aulas semanais no Espaço Clara Luz. “Quando você entra no programa é um pontapé para começar a desenvolver o que precisa ser treinado com regularidade”, diz o fundador do Centro, Áthila Campos. Os preços podem variar de R$ 180 a R$ 555. Treinando o Mindfulness, os problemas podem ser solucionados de forma mais construtiva, conforme Áthila. “Aquela emoção que antes afetava seu comportamento, afetava muito a sua vida, e com a recorrência dela gerava um adoecimento, você agora consegue lidar com isso de uma forma mais tranquila. Então, é o controle, o empoderamento, o autocuidado, o controle da sua, vida. Essa é a principal vantagem do Mindfulness”, aponta.
 

DESAFIOS EMOCIONAIS
 

Embora o estado de “Atenção Plena” seja inerente, alcançá-lo requer desenvolvimento em face dos estímulos do meio, principalmente os tecnológicos. A fundadora do ILAMB, Marina Neumann, diz que os desafios perpassam tanto o apego aos episódios positivos, como àqueles negativos. "A mente está configurada desde os tempos das cavernas para estar sempre alerta aos sinais de perigo e estar pronta para se defender. Por isso atualmente as pessoas tem maior tendência a se focar nos pontos negativos e tem muita autocrítica. Os desafios que aos poucos vão sendo vencidos com as práticas são a mente que vagueia no passado ou vive no futuro, mas também que se apega em demasia aos fatos prazerosos, evitando olhar para as dores físicas ou emocionais e outros desconfortos".
 

A aceitação em relação a todos os fatos, conforme Marina, ajuda no equilíbrio emocional e, consequentemente, permite a escolha de respostas mais hábeis. O médico mastologistas Valdenhique Macêdo, 47, relaciona isso com a própria realidade. "Às vezes a gente se apega muito às coisas boas e rejeita as ruins, mas a vida é cheia de coisas boas e ruins, tudo muda, nada é permanente. É um treinamento pra controlar a mente, se a gente não tiver cuidado, as emoções tomam conta".
 

Macêdo soube da "Atenção Plena" por um terapeuta, mas antes disso já se interessava por meditação. Também aluno do Centro Cearense de Mindfulness, ele acrescenta que a prática ajudou a ter mais foco e diminuiu o estresse no trabalho. "No meu caso, em que minha profissão exige muito trabalho mental, ajudou a recompor energias. Procuro fazer (as técnicas) diariamente. As pessoas me notaram mais calmo, mais tranquilo. Não me desespero mais com muitas coisas. Isso estimulou até outros colegas a fazerem o curso. Nos Estados Unidos, times de futebol utilizam (o Mindfulness) para ter concentração antes da partida", acrescenta.
 

Áthila Campos, fundador do Centro Cearense de Mindfulness destaca dois principais desafios: a prática em si e a compreensão dos conceitos. “Hoje em dia a gente vive num mundo frenético, todos nós hiperconectados, então sofremos muito com a síndrome da atenção parcial”, determina.
 

Segundo Marina, o mito de que o Mindfulness consiste em "parar de pensar" acaba afastando as pessoas, quando na verdade as práticas ajudam os profissionais a lidarem melhor com emoções e pensamentos. "O que fazemos é treinar a mente para estar presente e retornar a prática quando ela se distrai. Também não tem nenhum tipo de cunho religioso, na forma que é praticada atualmente nos programas ou intervenções baseados em Mindfulness", afirma.

AMANDA ARAÚJO

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