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Aquiete sua mente

00:00 | 31/12/2017

Patrícia Landim indica a leitura de
Patrícia Landim indica a leitura de "O Poder do Agora", de Eckhart Tolle CAMILA DE ALMEIDA
Concentração e foco. Qualquer atividade, principalmente no trabalho, exige isso. A conquista de um estado de “Atenção Plena”, como é traduzido o Mindfulness, propõe aumento de produtividade, redução de estresse e tomada de decisões mais consciente. Exatamente o que as pessoas buscam hoje para além do ambiente corporativo. Com resultados satisfatórios entre os praticantes, o Mindfulness é alternativa para colaboradores e empregadores, tais como profissionais liberais e de saúde, professores, executivos, gerentes e CEOs.

O Mindfulness existe há cerca de 40 anos, mas no Brasil ainda está dando os primeiros passos com a multiplicação de informação sobre as vantagens relatadas em pessoas com ansiedade, depressão e até dor crônica. Pioneiro no País, o Centro Brasileiro de Mindfulness e Promoção da Saúde - “Mente Aberta”, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), é referência em pesquisa e tratamentos desde 2011.  

Segundo o coordenador do programa de extensão e professor do Departamento de Medicina Preventiva, Marcelo Demarzo, o Mindfulness ainda é novidade por falta de conhecimento. “Esse, inclusive, é nosso papel, divulgar. Quanto mais produção, mais vai chamar atenção e sensibilizar gestores”, frisa.  

O estado de atenção plena pode ser definido como o oposto de estar desatento, de viver no piloto automático. “A gente às vezes não está atento ou está sempre reagindo e criticando, em geral, com experiências prévias. Estado mental onde está presente naquilo, na experiência interna e externa, no contexto. O olhar do principiante, de estar aberto e curioso a situação”, explica o professor.  

“A prática no trabalho ajuda a desenvolver foco e concentração e, desta maneira, pode-se ter uma melhor performance. Outro ponto que é cultivado é a clareza e objetividade. A pessoa pode tomar melhores decisões baseadas em fatos e não somente em impulsos automáticos ou repetições anteriores”, aponta a fundadora do Instituto Latino Americano de Mindfulness e Bem Estar (ILAMB), Marina Neumann. Fundado em julho de 2016, a entidade oferece treinamento para líderes, em parceria com o Institute for Mindfulness Leadership (IML). 

O IML realizou pesquisa, divulgada em fevereiro de 2016, com 80 líderes de 12 organizações que participaram de um retiro Mindfulness; após a experiência 93% deles relataram impacto positivo nas habilidades de criar espaço para inovação. Nessa mesma amostra, 89% disseram ter aumentado a habilidade para ouvir eles mesmos e os outros e 70% reportaram que o treinamento fez diferença positiva na habilidade deles de pensar estrategicamente. 

Para Marina, a busca crescente por capacitações voltadas ao mundo corporativo tem a ver com a perspectiva dos influenciadores dentro das empresas alcançarem maior produtividade, cometendo menos erros, além da redução tanto do absenteísmo como do presenteísmo (estar de corpo presente, porém sem resultados). “Vejo claramente a ligação da prática de Mindfulness com criatividade e inovação. Ao tirar a mente do estado de constante fazer e reagir, abrimos espaço para aprofundar as questões”, afirma ela.  

O Mindfulnes é contraindicado para pessoas em fase aguda de qualquer transtorno, como depressão grave, transtorno bipolar ou psicose ou que tenham antecedentes de crise dissociativa; pessoas com epilepsia ou problemas cognitivos graves, ou muito medicados. “É importante nestes casos haver uma avaliação clínica sobre o melhor momento de iniciar e acompanhamento específico, em caso de grupos terapêuticos. As pessoas também devem iniciar devagar e ir incrementando as suas práticas. Por isso iniciar a prática com um instrutor experiente e certificado é muito importante”, completa Marina.

AMANDA ARAúJO