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As vantagens e desvantagens de ser um terceiro em uma empresa

17:00 | 08/04/2017

Estima-se que no Brasil mais de 14,6 milhões de trabalhadores já atuem de forma terceirizada. Em mercados como o de tecnologia da informação, que geralmente atua como atividade-meio de outros segmentos, esta já é uma prática bem consolidada.


O arquiteto de softwares, Thaio Fernandes, 32, há nove anos trabalha na Ivia, empresa que presta serviços de software para outras empresas. Ele diz que sempre teve direitos trabalhistas cumpridos em dia, o que muda é que, no dia-a-dia, pode ter que cumprir suas funções em outras empresas. “A minha experiência é positiva. Dentro da minha realidade, a vantagem é que como rodo muitos projetos distintos, eu consigo ter uma gama de conhecimento maior na minha área do que se tivesse lotado em uma empresa só. O networking também é maior”.


Por outro lado, dependendo do projeto onde se está lotado, o ambiente de trabalho pode variar. “Sou funcionário da Ivia, não tenho a insegurança se ainda terei emprego quando o projeto acabar, mas sim de onde vai ser o próximo cliente. O que muda é o ambiente de trabalho, se vou estar em um cliente que tem equipe coesa ou se a estrutura física lá é bacana”.


Para o diretor da Ivia, Márcio Róger Braga, a nova lei é importante para que as empresas possam focar nos processos que lhes são mais relevantes e confiando a seus fornecedores a realização de atividades que entenda façam mais sentido serem terceirizadas, ainda que sejam na mesma área. “Isto é extremamente positivo, pois fortalece os setores que irão fazer estas parceiras, incentiva a especialização e dá mais mercado especializado para os profissionais da área”.


Mas nem sempre esta experiência é positiva. A fisioterapeuta Katyane Paiva, 31, por exemplo, trabalhou como terceirizada em um hospital público no período de 2012 a 2014 e, dentre outros problemas, ela recebia menos que um funcionário concursado em igual função, trabalhava com uma carga horária maior, e ainda recebia com atraso se o pagamento da empresa a que era vinculada também atrasasse. “Tinha uma diferença de classe gritante”.


Ela conta que ser terceirizada só não é pior do que ser cooperada. “Quando a gente sai, vai sem ganhar nada”.



ADRIANO NOGUEIRA

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