VERSÃO IMPRESSA

O que esperar de 2017

17:00 | 04/03/2017
[FOTO1]

A rotina de quem quer fazer concurso público, independente se para nível fundamental, médio ou superior, é marcada por muita dedicação e persistência. É o que defende Emília Cavalcante, 31, advogada e concurseira há cerca de quatro anos. Em busca de fazer carreira jurídica, divide as horas de cada dia entre o acompanhamento de processos e a leitura de teorias em livros e apostilas. O duplo esforço, diz, é estratégia para permanecer inserida no mercado de trabalho, enquanto se prepara para realizar o sonho de garantir uma vaga de analista de tribunal. “Trabalhar assim tem ajudado porque estou mais motivada e tranquila do que quando eu só estudava. Se o concurso não der certo, tem a advocacia”.

[SAIBAMAIS]

Com objetivos prioritários de adquirir estabilidade financeira e se “sentir útil pra sociedade”, a advogada ainda garante que a rotina do trabalho realizado em casa (home office) é leve, a ponto de não interferir na qualidade e disciplina aplicadas ao estudo, para o qual dedica, em média, cinco horas por dia. “O trabalho do advogado é fazer petição e acompanhar processo. Vou ao fórum uma vez por semana e não tenho volume de processos“.


Preparação

Assim como o trabalho, a preparação para o concurso é feita em casa. A fase de cursinho, importante para “dar um norte” no início dos estudos, ficou para trás. “Já fiz (cursinho preparatório), mas, depois de um tempo, o estudo que rende mesmo é o individual”. Além de aguardar divulgação de edital para a área desejada no Ceará, Emília busca outras oportunidades Brasil afora. A próxima parada será Pernambuco, em março. “Já pensei várias vezes em desistir, mas o importante é cair, ter força pra levantar e não perder o hábito de estudar todo dia, nem que seja só meia hora”.

 

Gledys Alves, 36, trabalhou como gerente de Recursos Humanos (RH) e, há dois anos, se dedica exclusivamente a estudar para concurso público. Os horários de estudos são prolongados: de 7 às 22 horas, todos os dias, exceto aos domingos, quando estuda até às 16 horas. Para atingir a meta de ter “uma carreira mais estável”, Gledys conta hoje com um “pé de meia” que acumulou enquanto trabalhava e com o auxílio dos pais. Por enquanto, não existe plano B. O objetivo é garantir uma vaga na área de RH ou mesmo de agente penitenciário. Otimista com o ano de 2017, aposta que concurso público é a melhor opção de carreira para quem quer estabilidade. “Se você estudar pra ir pro mercado de trabalho, que crescimento você vai ter? Se você se acomodar nunca vai crescer”, diz, destacando que “o concurso não é sorte, você tem que estudar antes do edital sair, até porque a matéria é muito extensa e você tem que estar no ritmo, com o psicológico preparado”. Garante que só vai voltar para o mercado de trabalho quando “o pézinho de meia se esgotar ou quando meus pais disserem: Gledys, não tem mais condições”.


José Adriano, 38, abandonou emprego na Prefeitura de Fortaleza e em 2012 se matriculou em um cursinho. Dois anos depois, veio a primeira conquista, quando foi aprovado no concurso da Guarda Municipal. Ainda assim, o desejo de fazer carreira policial ainda pulsa. “Hoje, trabalho na Guarda, mas quero uma vaga na Polícia Rodoviária Federal”. No segundo semestre deve sair o edital do concurso. Assim como Gledys, defende que o concurso é a melhor opção de carreira, dada a estabilidade que oferece. Quanto a se haverá ou não lançamento de editais e de novas vagas este ano, é positivo. “Apesar da crise econômica, acredito que, com certeza, os concursos mais procurados deverão sair. O concurseiro sempre deve estar estudando”. Caso a expectativa não se concretize, vai continuar a estudar 7 horas por dia e mirar oportunidades em outros estados. “Sempre pensar positivo é bom e, pela necessidade de sair na frente e por não ter muitas oportunidades, o cearense se destaca”.

 

LÍGIA COSTA

TAGS