VERSÃO IMPRESSA

Esperar por editais sem deixar de estudar

17:00 | 04/03/2017
[FOTO1]

Em Fortaleza, os cursos preparatórios para concurso público concentram uma grande quantidade de alunos. Mesmo diante da possibilidade da não realização ou da não abertura de novas vagas em concursos públicos em 2017, reflexos do congelamento de gastos do Governo Federal, a demanda pelas aulas não caiu. A análise é de Beatriz Palmela, supervisora do Curso Prime, antigo Master Concursos. “Pelo contrário. Com a crise (econômica), pessoas são demitidas e saem buscando estabilidade. Muitos, inclusive, estão aplicando o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nesse projeto futuro de estudo”. Os editais, diz, não devem faltar, tendo em vista que pessoas são constantemente realocadas de setores, ao mesmo tempo em que servidores se aposentam.


Mauro Henrique, coordenador do Tiradentes Concursos do Centro, garante que, se “a área federal fechou a torneira, a estadual tem possibilidade de abrir”. Ele se refere, especificamente, ao concurso para o Detran Ceará, previsto para acontecer ainda este ano. A procura pelo curso, revela, é maior no segundo semestre, quando “cria-se uma expectativa nova e boa” com a possibilidade de abertura de novos editais.


De acordo com Gleidson de Castro Lima, coordenador do Curso Professor Gustavo Brígido, outro certame muito esperado pelos concurseiros cearenses é o de agente penitenciário. A boa remuneração e a carga-horária de 40 horas semanais são os principais atrativos. “Os candidatos já podem se preparar de forma efetiva. Acho que no segundo semestre já sai edital”. Ainda que a demanda por cursinhos cresça naturalmente em épocas de lançamento de edital, “isso não é recomendável porque é necessário estudar de forma antecipada. O tempo de lançamento do edital até a prova é muito curto”, alerta Gleidson.


Alunos

Viúva e mãe de um garoto de sete anos, Joana D’Arc Silva, 30, é concurseira há cerca de um ano. Após 12 anos de trabalho na iniciativa privada, resolveu se dedicar integralmente aos estudos para um dia ocupar um cargo no Banco Central e ter estabilidade financeira. Ela, por sua vez, garante que as aulas presenciais no cursinho são “fundamentais”.

 

Para quem pretende enveredar pelo mesmo caminho, orienta que “concurso não é área para desistir”. “Quando você desiste, é um tempo perdido. Quando volta, tem que correr atrás pra recuperar tudo o que estudou. Vou continuar tentando até passar”, conta, otimista.


Douglas Santos, 34, atuou como gerente de vendas durante oito anos em São Paulo. Chegou em Fortaleza há um ano e meio e cursa Gestão da Qualidade na Universidade Federal do Ceará. Por não conseguir uma vaga no mercado de trabalho cearense, vem se preparando para concursos na área administrativa. Embora creia que o concurso público não ofereça mais tanta estabilidade quanto antes, vislumbra ser “ainda assim, o melhor caminho”. “Na esfera federal pode estar meio enroscado (lançamento de editais), mas nas esferas municipais e estaduais a coisa está acontecendo”. (Lígia Costa)

 

ADRIANO NOGUEIRA

TAGS