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Estrategista da XP prevê recuperação econômica para o 3º trimestre

| Cenário | O chefe do Comitê de Estratégia de Alocação da XP Investimentos, Luciano Telo, e o jornalista William Waack discutiram perspectivas para a economia

29/05/2019 01:39:25
LUCIANO Telo e William Waack analisaram a conjuntura econômica do País
LUCIANO Telo e William Waack analisaram a conjuntura econômica do País (Foto: DIVULGAÇÃO)

O cenário econômico apresenta instabilidades quase seis meses após o presidente Jair Bolsonaro (PSL) assumir a função de chefe do Poder Executivo. Durante a campanha eleitoral, o mercado apostou alto na agenda liberal do ministro da Economia, Paulo Guedes. Agora, a possibilidade de desidratação e a reforma da Previdência geram incertezas. Conforme o chefe do Comitê de Estratégia de Alocação da XP Investimentos, Luciano Telo, o momento é de cautela e as estimativas de crescimento estão somente para a partir do terceiro trimestre deste ano.

Apesar do contexto, explica, "sempre há oportunidade de investimento". "O que estamos fazendo é olhar com calma para tratar de uma posição de risco máximo, intermediária com as perspectivas para que a bolsa possa reagir", disse, durante o painel Estratégias de Investimentos e o Cenário Atual, em Fortaleza. "Com a (aprovação da reforma) da Previdência, pode haver espaço para que a confiança venha, e vejamos essa roda andar, mas trabalhamos com um crescimento baixo, de 1,5%", complementa.

 Para Luciano, a economia de R$ 1,1 trilhão em dez anos não é realista, mas os R$ 600 bilhões, considerando modificações no texto, seriam suficientes para garantir o destrave econômico. A avaliação é que os próximos três meses sejam de volatilidade e o fôlego venha em setembro, após aprovação da mudança na aposentadoria. Outro ponto é que, muito embora aliviar o rombo previdenciário seja um fator crucial, ela não consegue sustentar o equilíbrio. Serão necessários outros esforços, como incentivo para os investidores e simplificação tributária. No entanto, os conflitos entre Executivo e Legislativo freiam as projeções otimistas.

"O mercado olha para duas coisas: a agenda do Guedes - que é correta e pode ajudar muito o País. E, também, a viabilidade de ser implementada do ponto de vista político. O olhar está voltado para a capacidade de articulação e quão próximo estão de obter a quantidade de votos", explica. O jornalista e escritor William Waack, que também esteve no debate, acredita que o principal para os próximos passos é acompanhar "a governabilidade de Bolsonaro".

Para ele, o Brasil atravessa uma crise política estrutural. Nesse contexto, o déficit fiscal é o resultado de uma falência ao longo das últimas décadas. "Não existe nova e velha política, existe política. A não ser que a gente mude as regras do jogo, ele (o presidente) tem que se entender com o Legislativo", analisou. O evento foi idealizado ontem pela Multi7, empresa especializada na gestão de patrimônio de famílias e grupos empresariais, e ocorreu no Espaço Coco Bambu por Toca, no Meireles.

Empresa

A Multi7 Capital é uma empresa fundada em 2004, especializada na gestão de patrimônio de famílias e grupos empresarias.

 

Bruna Damasceno