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Novos investimentos alimentam expectativas

| Ceará | Chegada de grandes empresas europeias como Fraport AG e Porto de Roterdã abrem caminhos para mais visibilidade do Estado no exterior

24/03/2019 12:28:18
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Assim como ocorreu com a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), outros investimentos que chegam ao Ceará trazem consigo a expectativa de mais negócios em cadeia capazes de impulsionar a economia cearense. Ao contrário dos restaurantes e outros pequenos comércios, como ocorreu em Cumbuco, parcerias como a da alemã Fraport AG e da holandesa Porto de Roterdã alimentam a esperança de mais crescimento para o Estado.

Segundo Rômulo Alexandre Soares, presidente do Conselho de Relações Internacionais da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), bons negócios podem surgir a partir do aproveitamento do que o Estado já oferece em termos de matéria-prima. "Quem vier lá de fora vai tentar investir onde o Ceará tem vocação. Precisamos pensar se temos vocação para investir em certas áreas. Se nós não tivéssemos um vento bom, não teríamos investimentos em energia eólica, por exemplo".

Ele acredita que o dever de casa vem sendo feito. A gestão do Aeroporto Internacional Pinto Martins pela Fraport AG, por exemplo, é essencial para que o Ceará se mantenha conectado a outras regiões do mundo e, assim, continue a ser visto por investidores estrangeiros. Para exemplificar a importância dessa conexão, ele lembra do impacto causado pelo voo Fortaleza-Lisboa, inaugurado pela TAP Air Portugal, que completou 21 anos.

"Não tenho dúvidas de que a nossa vantagem em relação ao turismo está associada a esses voos diários, que foram responsáveis pelas quase 1.000 empresas de capital português instaladas no Ceará. Isso pode ocorrer com cada um dos lugares que o Ceará pode se conectar? No caso português, deu certo. Em relação ao hub, as ligações aéreas podem ajudar a desenvolver nossas vantagens naquilo que somos competitivos", avalia.

O Porto de Roterdã é outra novidade que abre possibilidades de negócios em diferentes frentes. Em parceria com a Companhia de Desenvolvimento do Complexo Industrial e Portuário do Pecém S.A. (Cipp S. A.), a chegada da empresa holandesa abre caminho não só para novas linhas e cargas para o Porto do Pecém, mas também para novas indústrias que venham integrar a Zona de Processamento e Exportação (ZPE). A participação holandesa no complexo envolve investimento de 30% nas ações da CIPP S.A., no valor de R$ 323 milhões.

De acordo com Danilo Serpa, presidente da Cipp S.A., o Ceará vive um ótimo momento com os HUBs (aéreo, de dados e portuário) e a chegada do Porto de Roterdã potencializa os resultados que já vinham sendo obtidos pela Companhia. "Os holandeses possuem uma expertise de mais de 600 anos na atividade portuária, sendo um dos principais da Europa. Eles têm uma forte atuação na área industrial, fato que pode colaborar muito na ampliação do nosso parque aqui. Além disso, ter Roterdã como parceiro é um modo de apresentar ao mundo inteiro a nossa capacidade de operação, o que nós já vínhamos fazendo, mas tê-los conosco certamente tornará esse processo mais rápido", analisa.

Quem também celebra é o presidente da Câmara de Comércio Ítalo-Brasileira Nordeste Paulo Eduardo Magnani: "O hub portuário se tornou uma nova forma de se chegar ao Ceará no que se refere a importações e exportações. Para os italianos, é um grande reforço, principalmente porque abre um novo canal para essa troca bilateral, não só para o Estado, mas para o país como um todo. Afinal, o Ceará tem posição estratégica para algumas rotas". De acordo com a plataforma Ceará Global, a Itália tem mais de 1.000 empresas atuando com investimentos no Estado, liderando o ranking do total de investidores no Ceará. Esses estrangeiros movimentam cerca de US$ 250 bilhões.