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Jornal

Brasil cede na OMC em troca de apoio norte-americano na OCDE

| RELAÇÕES COMERCIAIS | O País terá de renunciar a tratamento diferenciado da OMC a países em desenvolvimento

21/03/2019 02:34:51

Os Estados Unidos se comprometeram ontem a apoiar a candidatura do Brasil a membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O pleito brasileiro foi encampado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que vê a adesão ao chamado clube dos países ricos como um selo internacional de confiança no Brasil.

"Estou apoiando o Brasil para entrar na OCDE", disse Donald Trump no Salão Oval da Casa Branca, onde recebeu Jair Bolsonaro (PSL).

O apoio formal dos EUA para o Brasil na OCDE é considerado crucial, mas veio com uma contrapartida. Em troca, o governo brasileiro concordou em "começar a renunciar" ao tratamento diferenciado dado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) aos países em desenvolvimento. Para os EUA, isso ajudaria a abrir caminho para a reforma nas regras globais de trocas comerciais.

O governo norte-americano era contra a entrada simultânea de vários países na OCDE. Embora considerado um "clube dos ricos", a organização tem membros como Colômbia e Letônia - economias bem menores do que o Brasil - e Turquia, que enfrenta uma grave crise econômica. A fila de países que já pediram para entrar inclui Argentina, Peru, Croácia, Romênia e Bulgária. Trump já se manifestou a favor da candidatura dos argentinos.

Após a reunião privada, o presidente dos EUA confirmou o posicionamento à imprensa nos jardins da Casa Branca. "Nós vamos apoiar. Vamos ter uma boa relação em diferentes formas. Isso é algo que vamos fazer em honra ao presidente (Bolsonaro) e ao Brasil".

Entrar para a OCDE, que reúne hoje 36 nações entre as mais ricas do mundo, pode favorecer a atração de investimento internacional e a captação de recursos no Exterior a uma taxa de juros menores. Para fazer parte do clube, é preciso atender a uma série de requisitos de caráter liberal. O organismo define políticas de boa governança e fornece plataformas para comparar políticas econômicas ou coordenar políticas domésticas e internacionais. (Agência Estado)