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Ceará tem a sexta pior renda domiciliar por pessoa do Brasil

| Pnad Contínua 2018 | No Estado, a renda domiciliar per capita é de R$ 855, menor que a média nacional, de R$ 1.373, de acordo com dados do IBGE

28/02/2019 01:10:43

O Ceará teve a sexta pior renda domiciliar per capita do Brasil no ano passado. Mesmo assim, de 2017 (R$ 824) para 2018 (R$ 855), houve um aumento (3,76%) no valor por pessoa do Estado. Mas na comparação com os números nacionais, o resultado é R$ 518 menor que a média do Brasil (R$ 1.373).

Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), calculados com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e enviados ao Tribunal de Contas da União (TCU). Esta divulgação atende ao disposto na Lei Complementar 143/2013, que estabelece os critérios de rateio do Fundo de Participação dos Estados e do Distrito Federal (FPE).

Conforme os resultados, os locais mais pobres do País se concentram no Norte e Nordeste do País. Dos estados com renda domiciliar per capita inferior ao do Ceará estão Maranhão (R$ 605), Alagoas (R$ 714), Pará (R$ 863), Piauí (R$ 817) e Acre (R$ 909).

Já as unidades da federação onde a renda por pessoa é maior ficam nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O Distrito Federal (R$ 2.460) obteve primeiro lugar no ranking, seguido de São Paulo (R$ 1.898) e Rio Grande do Sul (R$ 1.705).

O economista Alcântara Macedo avalia que os números da desigualdade ainda são presentes, apesar de os resultados terem sidos maiores que anos anteriores. "O crescimento é diferente do desenvolvimento. Pode ter um crescimento e isso não trazer uma melhoria geral para todos (desenvolvimento). Essa relação no Ceará está muito distante".

Depois da Bahia e de Pernambuco, o Estado é a terceira maior economia da Região. Com isso, "era de se esperar que a renda per capita não fosse baixa porque existe um PIB (Produto Interno Bruto) significativo. No Ceará, a distribuição de renda é mal feita. Existe um grande grupo de pessoas que ganha pouco e um pequeno número que ganha muito. Isso fica como consequência para a péssima distribuição de renda".

O quadro mostra ainda que a taxa de subdesenvolvimento é maior que a do resto do País. "Temos que ter políticas de compensação tanto espacial (para a Região Metropolitana e para o interior do Ceará) como pessoal (diferença entre grupo de pessoas que ganham pouco e muito)", acrescenta.

Já a professora do curso de Finanças e Economia da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenadora do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP), em Sobral, Alessandra Araújo, acredita que o número de beneficiários de pensões e aposentadorias refletem no rendimento da média brasileira. No Ceará, a qualidade do trabalho é um aspecto que pesa. (Colaborou Bruna Damasceno)

Larissa Carvalho