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Número de microempreendedores individuais cresceu 31% no Ceará

| DURANTE A CRISE | Entre 2015 e 2018, os cearenses apostaram mais no negócio próprio

12/01/2019 01:30:00
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O número de microempreendedores individuais (MEI) cresceu 31,41% nos últimos quatro anos, no Ceará. Em 2015, eram 188 mil pessoas à frente do negócio. A quantidade saltou para 247 mil ano passado, totalizando incremento de 59 mil empresas no período. Houve, porém, um leve recuo na passagem de 2017 (247.602) para 2018, representando queda de 0,21%. Os dados são da Unidade de Atendimento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

 

A avaliação é que o contexto econômico dos últimos anos pressionou a criação de novos negócios. Ocorre que em 2015 foi o começo da maior crise da história pós-industrial brasileira, com o encolhimento de 3,8% do Produto Interno Bruto (PIB) do País.

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A situação permaneceu ainda crítica em 2016, quando o recuo foi de 3,6%. O período marcou a maior recessão desde a era Collor (1990 a 1992), marcada pela hiperinflação.

 

Nesse contexto do século 21, o desemprego acelerou e a população teve de recorrer a outros meios para obter renda. "Buscaram-se novas maneira de recolocação no mercado de trabalho e surge então o aumento do emprego informal", explica o economista Vitor Leitão. Ele pondera que as vantagens com a formalização impulsionaram o crescimento.

 

Quando o profissional autônomo passa a ser MEI, adquire benefícios importantes. A formalização acarreta obrigações e direitos de uma pessoa jurídica. Como a abertura da conta bancária, empréstimos e emissão de notas fiscais. Além do direito a auxílio-maternidade, afastamento remunerado por problemas de saúde e aposentadoria.

 

O microempreendedor individual também é enquadrado no Simples Nacional e fica isento dos tributos federais: Imposto de Renda, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e PIS.

 

Alice Mesquita, articuladora da Unidade de Atendimento Sebrae, reitera que, no período de recessão, as pessoas buscaram empreender mais. "Muita gente perdeu o emprego formal ou já tinham atividades paralelas e resolveram apostar no negócio próprio", conta. Ela aponta que os segmentos mais tradicionais foram os que apresentaram maior crescimento. Entre eles, salões de beleza, bares e restaurantes. Alice lembra que é necessário cautela na hora de decidir abrir uma empresa.

 

"É fundamental que o empresário procure se capacitar e não vá pela emoção e necessidade. Ele deve se identificar com o ramo, fazer uma pesquisa para identificar o público alvo e ter toda uma preparação. Isso inclui saber o retorno do investimento. Por isso, ele precisa saber o recurso que vai investir", orienta.

 

O corretor de imóveis Vitor Macambira, 31, está entre as pessoas que investiram na empresa própria, mesmo no início da crise. "Diante da situação, eu não desisti. Já havia me planejado e resolvi arriscar". Em dezembro de 2016, ele abriu o Brava Boteco, no bairro Edson Queiroz. 

 

Números

 

59 MIL pessoas tornaram-se MEI nos últimos quatro anos, no Ceará.

BRUNA DAMASCENO

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