PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Inflação oficial de Fortaleza fecha o ano como a quarta menor do País

| Resultado | Em dezembro, o índice ficou estável, em 0,07%. No acumulado de 2018, o IPCA da Capital registrou variação de 2,9%

01:30 | 12/01/2019

PRODUTOS alimentícios tiveram alta de 0,45% em dezembro e novembro   Tânia Rêgo/Agência Brasil
PRODUTOS alimentícios tiveram alta de 0,45% em dezembro e novembro Tânia Rêgo/Agência Brasil

A inflação oficial da Grande Fortaleza, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou o ano passado em 2,9% e ficou estável em 0,07% em dezembro. É o quarto resultado mais baixo do País, no acumulado do ano, ante as 16 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Perde apenas para Recife (2,84%), São Luís (2,65%) e Aracaju (2,64%). No País, a inflação fechou 2018 em 3,75%. Em 2017, ela havia ficado em 2,95%.

Dentre as cidades pesquisadas, Porto Alegre foi a que acumulou maior inflação em 2018 (4,62%), seguida por Rio de Janeiro (4,3%), Vitória (4,19%) Salvador (4,04%) e Belo Horizonte (4%), todas acima da média nacional.

 

Ricardo Eleutério, economista e vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), avalia que o que era previsto da política monetária foi cumprido, ante o resultado da inflação no Brasil. "Boa parte da explicação para essa inflação baixa é a dinâmica fria da economia brasileira", acrescenta, citando ainda a alta taxa de desemprego e a dificuldade de crescimento do País.

 

Apesar das desvantagens, a inflação baixa tem vantagens. "Permitiu ao Banco Central manter a taxa de juros Selic no seu menor patamar histórico (6,5%), o que fez impactar menos o poder de compra", diz.

 

Além disso, a diminuição da meta de inflação para 4,25%, em 2019, e para 4%, em 2020, mostra um maior rigor no controle da meta, sendo uma boa sinalização, na opinião do economista, que prevê uma continuidade em patamar baixo da taxa de juros.

 

Sobre a inflação em Fortaleza, o dado também é visto como bom pelo economista, que lembra o efeito positivo principalmente para os mais pobres. "A inflação alta corrói o salário daqueles que têm renda fixa, que são os trabalhadores assalariados. O Ceará e Fortaleza ainda têm uma renda média muito baixa. Com a inflação menor, penaliza menos esses trabalhadores".

 

No Brasil, a avaliação é que a inflação ficou dentro da meta estabelecida pelo Banco Central para 2018, que varia de 3% a 6%. Em dezembro, o IPCA registrou inflação de 0,15%, taxa maior que a de novembro, que teve deflação de 0,21%. Em dezembro de 2017, o indicador havia registrado inflação de 0,44%.

 

O principal responsável pela inflação de 3,75% em 2018 foi o aumento do custo com alimentos, que tiveram alta de preços de 4,04% no ano passado. Em 2017, o grupo alimentação e bebidas registrou queda de preços de 1,87%. O resultado foi impactado pela greve dos caminhoneiros em maio, o que provocou desabastecimento de itens alimentícios e aumento de preços desses produtos.

 

"Essa paralisação (dos caminhoneiros) ocorreu no fim de maio, então ela teve um impacto pontual, em junho, nos combustíveis e também nos alimentos, por causa do desabastecimento. (Se não houvesse a greve), provavelmente isso acarretaria num nível menor da inflação no acumulado do ano", disse o pesquisador do IBGE, Fernando Gonçalves.

 

Os alimentos consumidos em casa ficaram 4,53% mais caros no ano, enquanto os preços dos alimentos consumidos fora de casa (em bares e restaurantes, por exemplo) subiram 3,17%. Os produtos alimentícios que tiveram maior impacto na inflação de 2018 foram o tomate (71,76% mais caros), frutas (14,1%), refeição fora de casa (2,38%), lanche fora (4,35%), leite longa vida (8,43%) e pão francês (6,46%). (Colaborou Samuel Pimentel, com Agência Brasil)

 

 

Outras despesas

 

Outros grupos de despesas que tiveram impacto importante na inflação do ano passado foram habitação (4,72%) e transportes (4,19%).

 

Entre os itens de transporte que ficaram mais caros estão passagem aérea (16,92%), gasolina (7,24%) e ônibus urbano (6,32%).

 

Já entre os gastos com habitação, o principal impacto no aumento do custo de vida veio da energia elétrica (8,7%).

 

Entre os nove grupos de despesa pesquisados, apenas comunicação teve deflação (-0,09%). Os demais grupos tiveram os seguintes índices de inflação: artigos de residência (3,74%), saúde e cuidados pessoais (3,95%), educação (5,32%), despesas pessoais (2,98%) e vestuário (0,61%).

 

Índice para famílias com renda mais baixa

 

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda até cinco salários mínimos, acumulou alta de preços de 3,43% em 2018.

 

Segundo dados divulgados ontem no Rio de Janeiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa é maior que a de 2017 (2,07%).

 

Apesar disso, o INPC teve uma taxa menor que a inflação oficial (3,75% em 2018), medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

 

Em dezembro último, o INPC anotou variação de 0,14%, que se igualou ao percentual de dezembro de 2016 como a menor taxa de inflação para o mês desde o início do Plano Real, em 1994.

 

Os produtos alimentícios tiveram alta de 0,45% no mês, mesmo resultado registrado para novembro. Já os itens não alimentícios tiveram variação de 0,01%, acima da deflação (queda de preços) de 0,55% de novembro. 

 

(Agência Brasil)