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Ceará é único estado a crescer no setor de rochas ornamentais

| RESULTADOS | O Estado foi o único exportador a registrar evolução nesses últimos cinco anos de queda ante outros vendedores no País

25/01/2019 06:39:46

Em meio à instabilidade do setor de rochas ornamentais no Brasil, o Ceará encarou os desafios e cresceu 5,3% em 2018. Foram exportados US$ 28.069.269 em produtos cearenses ante US$ 26.652.799 em 2017. No País, o segmento recuou nos últimos cinco anos e fechou em queda de 10,1% no ano passado. Os dados são do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

A expectativa do Sindicato da Indústria de Mármores e Granitos (Simagran) é que a cifra salte para US$ 200 milhões nos próximos quatro anos. Os Estados Unidos são os maiores compradores dos produtos cearenses. Em seguida, Canadá, México, Itália, Índia e China. Ao todo, 119 países compram o produto do Ceará.

Antonio Martins, economista do Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), ressalta que o sucesso do setor também se deve à abertura do mercado externo. "O mais interessante é a diversificação dos parceiros comerciais. Quando a gente olha que estamos ganhando novos parceiros como a Índia, Itália, é algo importante. É um trabalho contínuo de buscar novos mercados", avalia.

De acordo com dados do Simagran, há 52 empresas instaladas no Estado. A maioria está situada no Noroeste, como Sobral, Massapê, Santa Quitéria e Banabuiú. A avaliação é que o Ceará possui condições favoráveis com a diversidade de rochas e localização geográfica.

"Algumas são encontradas apenas aqui, como madrepérola, perla santana, perla venata, cristalo pink e a ônix vision. Por isso estamos conseguindo manter e a tendência é expandir cada vez mais", avalia Carlos Rubens Alencar, presidente da entidade.

Outro ponto que pode impulsionar o setor é a logística para o transporte da mercadoria via modal marítimo, no Porto do Pecém. A infraestrutura é importante para aumentar a competitividade e reduzir o custo do frete. Fator importante para atrair investidores. A expansão da Zona de Processamento e Exportação do Ceará (ZPE), no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp), abriu as portas para novos investimentos e 20 empresas assinaram o protocolo de intenções para instalação na área.

A maioria é do Espírito Santo. São elas: CFRP, Magban, Bramagran, Cajugram, Guidoni, Kopi, Wilcomex, Nova Aurora, Gramil, Quartzblue, Vitória Stone e Ferrez do Brasil. Além destas, as cearenses Imarfm Grand Stone, Head e Multigran. Carlos pondera que as empresas precisarão de novos estímulos do governo, porque os protocolos foram assinados em julho de 2016. "Umas quatro ou cinco empresas já têm modelagem, mas ainda falta licença ambiental, Roterdã, o decreto do terreno, alfandegamento etc", diz.

A parceria com a Port of Rotterdam, administradora do Porto de Roterdã (Holanda), também traz novas perspectivas ao setor e deve potencializar o canal de abertura com o mercado externo. De acordo com Mário Lima Júnior, presidente ZPE, a negociação com as novas empresas do setor estão provisoriamente paralisadas enquanto ocorrer reestruturação do espaço que receberá investimentos do porto holandês para modernização.

"Tivemos que reformular todo o pensamento da expansão em função do novo acionista. Os protocolos de acordo continuam, mas o Estado está se preparando para firmar os contratos com as empresas em função dos investimentos que estão entrando", explica. (Bruna Damasceno)

O Povo