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Ceará a salvo da barreira ao aço pela União Europeia

| RELAÇÕES COMERCIAIS | O material produzido no Estado não consta na lista de 26 produtos que serão taxados, mas siderúrgicas do País serão afetadas

Países da União Europeia (UE) impuseram ontem, ao mercado internacional, novas barreiras de importação ao aço. Com exportação de placas pela Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), o Ceará ficou a salvo da medida, pois o material não consta da lista de impedimentos. Porém, o impacto nas siderúrgicas do Brasil deve chegar a mais de US$ 100 milhões por ano. A decisão da UE ainda carece de preparação final por parte da Comissão Europeia, mas imposições devem iniciar em fevereiro e permanecer até julho de 2021.

Um total de 26 produtos integram a escolha de taxação. Sete deles são vendidos pela indústria siderúrgica nacional, entre eles chapas, lâminas e certos tubos. Os materiais serão submetidos a sistema de cotas, que serão definidas numa média dos últimos três anos mais 5%. A sobretaxa de 25% será aplicada após a cota ser atingida. A China sofrerá restrições em 16 produtos, contra 17 da Turquia e 15 da Índia.

No caso do aço que sai do Ceará, ele serve como subsídio dentro da cadeia produtiva de produção do material, sendo insumo importante. As placas da CSP, portanto, são matéria-prima parte do processo de beneficiamento do aço de várias frentes que existem na ponta final de consumo. No País, o impacto deve ser maior, já que são exportados cerca de 15 milhões de toneladas de aço por ano (US$ 9,5 bilhões), dos quais 25% vão para a Europa.

"A Europa está vivendo um momento de crise muito forte na indústria siderúrgica porque o consumo de aço é menor. Lá existe uma oferta de produto maior que a demanda. (A ação) É uma medida natural para manter os empregos e nível de tecnologia do setor", analisa o economista e consultor internacional, Alcântara Macedo.

Em comunicado, a Comissão Europeia confirmou que as medidas blindam "os produtores de aço da Europa, depois do redirecionamento de comércio ao mercado europeu como resultado das ações unilaterais impostas pelos Estados Unidos". Entre 2013 e 2018, os europeus alegam que os produtos importados passaram de uma fatia de 12% do mercado local para 18%. Em volume, a importação praticamente dobrou. Diplomatas brasileiros estão em negociações com a Comissão para tentar excluir um ou dois produtos.

Macedo acrescenta que a medida é protecionista e parecida com a adotada pelos Estados Unidos, em junho de 2018, ao impor cotas e sobretaxas ao produto. Revisão foi feita um mês depois pelo presidente Donald Trump.

Secretário de Relações Internacionais do Estado, César Ribeiro acredita que a UE pode rever a decisão para o Brasil com abertura de diálogo. "Agora é mostrar que, por mais que exista competição, há uma agregação de valor do produto que sai daqui". (Com agências)

SAMUEL PIMENTEL

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