PUBLICIDADE
VERSÃO IMPRESSA

Paralisação e obras caras no CE são impactos da política da Petrobras

| ASFALTO | Insumo asfáltico representa 40% dos custos e sofre reajuste mensal de até 12%

01:30 | 12/07/2018
ESTRADA para a cidade de Várzea Alegre, que teve recurso liberado para obra LÉO HENRIQUES, EM 25/2/2017
ESTRADA para a cidade de Várzea Alegre, que teve recurso liberado para obra LÉO HENRIQUES, EM 25/2/2017

A nova política de preços da Petrobras fez o cimento asfáltico (CAP) distribuído pela Lubnor subir 7,2% e o asfalto diluído (ADP) 8%, em junho. Os impactos chegam às obras do Ceará, que são paralisadas e encarecem. Isso porque, em vigor desde maio deste ano, os reajustes mensais, antes semestrais, refletem no orçamento da indústria de construção pesada, cujo insumo representa 40% dos custos das obras.

“Essa política inviabiliza completamente a execução das obras. Já existem diversas obras paralisadas tanto no Estado como no País. Algumas empresas ainda trabalham na parte de terra, porém quando chegar a hora de execução de asfalto elas paralisarão”, alerta Dinalvo Diniz, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Ceará (Sinconpe-CE). Em maio, o gestor já sinalizava que mais de 35 obras de restauração, duplicação e pavimentação de rodovias do Estado poderiam parar.

Os contratos mantidos com a administração pública têm por força de lei a manutenção de preços por um período de um ano após a proposta.

O reajuste de insumos asfálticos trouxe percentuais elevados se comparando com quaisquer índices, destaca Dinalvo. Ele lembra que desde julho de 2017 o sindicato iniciou tratativas com o Governo do Estado, mas ainda sem solução.

Bruno Iuguetti, consultor nas áreas de petróleo e energia, defende que o reajuste dos insumos asfálticos não inviabiliza as obras públicas. Porém, vai aumentar os custos. “Se o contrato não tiver o suporte necessário para aceitar um aumento desses, deverão ser negociados aditivos”, avalia.

O Nordeste não é autossuficiente na produção de asfalto e depende da importação, que é em dólar. “Essa precificação tem que obedecer às variações. Tem o efeito tanto de cotação no mercado internacional como o spread em termos de variação do dólar”, afirma.

Segundo a Petrobras, os reajustes mensais têm o objetivo de manter o alinhamento entre os preços domésticos e os preços internacionais. “A Companhia esclarece que, em janeiro de 2018, além do reajuste de 8%, foi negociado com a indústria um período de transição sem reajustes (entre fevereiro e abril de 2018), considerado por ambas as partes como suficiente para permitir a adequação dos contratos entre as distribuidoras e seus clientes à nova dinâmica comercial”.

REAJUSTES E OBRAS

 

2015 - Petrobras implementa transição gradual na política de preços dos insumos asfálticos, com reajustes em abril e novembro.

Janeiro 2018 – Reajuste passa a ser mensal, iniciando com o máximo de 8% em período transitório (janeiro a abril) e posteriormente até 12% ao mês.

ALTA - INSUMOS ASFÁLTICOS

1/11/2017: +12%

1/1/2018: 8%

1/5/2018: 8%

1/6/2018: 8%

1/7/2018: 8%

Fonte: Petrobras

ALGUMAS OBRAS NO ESTADO

Duplicação do Anel Viário

Duplicação CE-040 (Beberibe-Paripueira)

Duplicação CE-155 (Porto do Pecém – Entrada da BR-222)

Trecho Tianguá – Ubajara

Contorno de Juazeiro do Norte - CE-292 (Acesso a Crato) - CE-060 (Acesso a Barbalha)

BR-230/CE-292 (Campos Sales) - Salitre

 

CRISTINA FONTENELE