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Ceará é líder do Nordeste em produção de energia pelo consumidor

| GERAÇÃO DISTRIBUÍDA | Das pessoas que geram a própria energia no Nordeste, 25% estão concentradas no Ceará. O Estado detém 40% da potência instalada da Região

01:30 | 11/07/2018
ENCONTRO dos empresários do segmento de energia na Fiec GIOVANNI SANTOS/SISTEMA FIEC
ENCONTRO dos empresários do segmento de energia na Fiec GIOVANNI SANTOS/SISTEMA FIEC

O Ceará tem se destacado na geração distribuída, sendo o líder no Nordeste no segmento. Responde por 25% dos consumidores que geram a própria energia e detém 40% da potência instalada da Região. Neste mercado, o Estado contabiliza em torno de 100 empresas e mais de 2 mil empregos.

“É um setor muito forte que tem dinâmica intensa, em geral, formado por pequenas e médias empresas”, destaca Joaquim Rolim, coordenador do Núcleo de Energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec). A geração distribuída tem crescido com taxas superiores a 100% ao ano, diz o gestor, e o Ceará acompanha o crescimento. É quarto lugar do País em potência instalada e sétimo em número de conexões.

Um dos fatores que tem contribuído para o salto do segmento é a queda nos custos dos equipamentos. Em 2017, o preço do material fotovoltaico reduziu cerca de 25%, explica Benildo Aguiar, presidente do Sindicato das Indústrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado (Sindienergia-CE). Além disso, o trabalho conjunto realizado entre poder público e entidades do setor gera ambiente de governança. “Tem proporcionado capilaridade mais forte e facilita o transcurso para quem quer investir em geração distribuída”.

A questão da tributação, porém, ainda é empecilho. Enquanto Minas Gerais, primeiro lugar do País em geração distribuída, isenta o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para geração até 5 megawatts (MW), no Ceará a isenção é até 1MW. “Estamos trabalhando para ver se conseguimos elevar para 5MW, o que faz com que novos investidores venham e a gente cresça três vezes mais do que o previsto”, reforça Benildo. Segundo ele, o setor vem crescendo em média 10% ao mês.

Para discutir o desempenho do Ceará no segmento, o Núcleo de Energia da Fiec promoveu ontem encontro com empresários do setor, Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece), Sindienergia e Câmara Setorial de Energias Renováveis e a Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD).

Na reunião foi apresentado o 3º Congresso Brasileiro de Geração Distribuída (CBGD) que será em outubro, em Fortaleza.

Na visão do presidente da ABGD, Carlos Evangelista, o Ceará tem condições de ser o primeiro colocado no País em geração distribuída. “Em termos de potência, o Ceará tem crescido mais que outros estados em grandes sistemas instalados acima de 1MW, que a gente chama de mini usinas”.

Como inovações do setor, Carlos aponta os avanços no sistema de armazenamento de energia, que permite acumular grande quantidade a um custo mais acessível. A outra inovação é a smart grid, rede inteligente que facilita o controle simultâneo do consumo de cada equipamento.

Revolução no setor energético é como avalia Jurandir Picanço, presidente da Câmara Setorial de Energias Renováveis, sobre o momento da geração distribuída. “Comparo à mudança que ocorreu da telefonia fixa para a móvel, porque as estruturas físicas do sistema elétrico vão ter de ser alteradas, já que qualquer local pode produzir energia em função da abundância do sol, com custos a cada ano mais reduzidos”.

O QUE SE PENSA SOBRE

“O maior benefício não são os kilowatts hora produzidos, mas os negócios a partir dessa atividade”, avalia Jurandir Picanço sobre o segmento de geração distribuída.

 

CRISTINA FONTENELE