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"Só arrumar a casa internamente não é suficiente", afirma Troyjo

CRESCIMENTO | O diretor do BRICLab na Universidade de Columbia (EUA) defende inserção no mercado global para o Brasil

14/04/2018 01:30:00
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Nem só educação, ciência e tecnologia ou o fim da corrupção: o caminho para garantir um crescimento significativo da economia brasileira nos próximos anos está em estabelecer uma melhor estratégia de inserção na globalização. A avaliação é do economista Marcos Troyjo, diretor do BRICLab na Universidade de Columbia, em Nova York (EUA). Ontem, ele falou a empresários cearenses durante café-debate promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais do Ceará (Lide Ceará).


Ao comentar as megatendências globais e o impacto sobre os negócios no Brasil, destacou que é preciso livrar os empresários das próprias amarras. A burocracia e a alta carga tributária os colocam em desigualdade em relação aos demais países.


“É necessário fazer um levantamento das condições empresariais, fazer as reformas estruturantes que tanto se esperam. Mas só arrumar a casa internamente não é suficiente. É preciso um plano de negócios externo”, defendeu. Este foi o caminho traçado pelas grandes economias. A China, por exemplo, saiu de uma população de pouco mais de um bilhão de pessoas e um PIB de US$ 200 milhões, na década de 1970 (o mesmo que o Brasil tinha à época com um décimo de habitantes), para a potência de hoje, com um PIB de US$ 12 trilhões. “Fomos dramaticamente ultrapassados”, pontuou Troyjo.


O tratamento diferenciado que a China recebeu dos países ocidentais contribuiu para este cenário, mas um controle mais rígido de variáveis como salários, investimento em parcerias público-privadas para realizar investimentos e posicionamento de forma mais incisiva no mercado internacional, foram determinantes para esta ascensão.


Coreia do Sul, Alemanha e Chile também se destacam por terem mais de 40% do PIB resultante da soma de importações e exportações. “Eles usaram o comércio exterior como alavanca importante para sua projeção econômica. E o Brasil, em toda sua história, nunca alcançou mais de 25% e nem tem uma estratégia definida”.


O economista disse que o País, a despeito de toda instabilidade política, ainda desperta interesse de investidores estrangeiros pelo tamanho e potencial de mercado. E poderia lucrar com o deslocamento da curva de demandas agrícolas e minerais para países como China ou Índia. “Mas é preciso saber se o fruto deste potencial servirá para garantir uma verdadeira capacidade competitiva ou para engrossar as políticas de cunho protecionista e assistencialista. E não falo só de assistencialismo aos pobres, mas às instituições financeiras”.


Entre outras tendências globais estão os investimentos cada vez mais maciços em tecnologia; estratégias de produção e verticalização de alimentos — ainda que não sejam do país de origem (a China é um dos maiores produtores de peixes brasileiros de rio, por exemplo) e investimentos em inovação. E o Ceará, na avaliação dele, tem diferenciais estratégicos que são vantagens — como a posição geográfica (que favorece a área de logística, os transportes internacionais e o escoamento portuário) e bons resultados em educação e turismo.

 

ANÁLISE E DEBATE

Marcos Troyjo falou a empresários cearenses, ontem, durante café- debate promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais do Ceará (Lide Ceará)

Irna Cavalcante

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