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Pior cenário seria o Brasil ter de se posicionar entre EUA e China

| GUERRA COMERCIAL | O alerta é do senior fellow do Núcleo de Comércio Internacional do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Pedro Motta Veiga

09/04/2018 01:30:00
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A decisão da China de sobretaxar 128 produtos norte-americanos pode abrir importante janela aos negócios brasileiros, como os segmentos de carne suína e soja. Porém, a guerra comercial pode trazer danos no longo prazo. O alerta é do senior fellow do Núcleo de Comércio Internacional do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Pedro Motta Veiga, que relata que o pior dos cenários seria o País ter de se posicionar de forma mais incisiva entre as duas economias.

 

Ele esteve em Fortaleza, no quarto e último encontro da iniciativa Desafios para o Desenvolvimento, promovido em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O objetivo é elencar prioridades, soluções, riscos e desafios que o próximo presidente brasileiro terá de enfrentar para fortalecer a integração e o comércio internacional no País.

[SAIBAMAIS]

Veiga reforça que até o momento o Brasil tem conseguido escapar das sobretaxas. Os EUA excluiu o País da nova taxa do aço de 25% para importação e de 10% para o alumínio. O que geraria um prejuízo estimado de US$ 3 bilhões em exportações brasileiras de ferro e aço e de US$ 144 milhões em exportações de alumínio, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). No Ceará, a Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP) seria afetada, pois exporta 11% da sua produção para os Estados Unidos.

 

“O principal alvo das medidas é a China e que, em primeiro momento, o Brasil se beneficia, mas os danos ao mercado internacional são grandes porque cada um faz o que quer e quem pode mais, manda mais. Economias menores têm de obedecer”, afirmou.

 

Ele diz que, no futuro, o País pode ser chamado a negociar algum tipo de limite para as exportações. O que seria muito ruim, considerando a importância das duas economias para balança comercial brasileira. “Não há muito o que fazer no curto prazo, a não ser tentar ficar de fora das tarifas”.


Mas uma abertura comercial mais agressiva pelo Brasil poderia colocá-lo em uma posição menos dependente. E traçar estratégias para isso é um dos objetivos do estudo que o BID está desenvolvendo.


Dentre os caminhos possíveis, está aprofundar as relações com o Mercosul e a assinatura de novos tratados comerciais com a União Europeia e a Aliança do Pacífico. Outra via seria abrir mais o mercado doméstico ao comércio internacional. Além de reduzir a burocracia. “Sem isso a produtividade não cresce”.

Irna Cavalcante

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