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"O importante é ter uma ocupação"

| TRABALHO | Em entrevista exclusiva ao O POVO, o Ministro do Trabalho, Heltonb Yomura, ressalta a expectativa positiva dos indicadores

23/04/2018 01:30:00
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À frente do Ministério do Trabalho desde o impasse envolvendo a deputada Cristiane Brasil, Helton Yomura, está percorrendo o País não apenas para inaugurar serviços, mas também para levar o que ele define de “palavras de otimismo e apoio” ao empresariado quanto aos rumos da economia.


Em sua passagem por Fortaleza, em entrevista exclusiva ao O POVO, destacou a melhora dos indicadores econômicos - projeta até o final do ano a geração de mais de R$ 23 milhões de empregos -, minimiza os recentes escândalos envolvendo a pasta e diz que os pontos que seguem causando polêmica em relação à reforma trabalhista, ocorrem por sua própria natureza.


Para ele, o principal legado que o Governo deixa é a modernização da legislação e a melhora do atendimento ao trabalhador. No Fórum Econômico Mundial, em São Paulo, estávamos falando de indústria 4.0 e nós não podemos ter isso com uma legislação 1.0, temos que caminhar juntos com as melhores práticas internacionais”. Confira a entrevista:

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O POVO - Neste ano, foi inaugurada em Fortaleza a quarta agência do Ministério do Trabalho e Emprego em shoppings do Estado. Por que investir neste formato?

Helton Yomura - Esta agência é mais uma de uma série que estamos pretendendo fazer. E qual é o nosso propósito com esta iniciativa que é uma parceria com a Associação Brasileira dos Shopping Centers (Abrasce)? Primeiro reduzir custos para o Ministério do Trabalho com locação, condomínio, vigilância, asseio e conservação e a outra parte é promover um pouco mais de qualidade para o atendimento ao trabalhador. Os shoppings são espaços dignificados, com estacionamentos, ar- refrigerado, acessibilidade, praça de alimentação e nós entendemos que esta sinergia só traz benefícios ao trabalhador.

 

OP - Pretendem ampliar este leque no Ceará em mais quantas agências até o fim do ano?

Helton Yomura - Estamos estudando porque cada shopping tem suas características, seja o mix comercial que ele carrega, seja a quantidade de trabalhadores que congrega em seu entorno. Cada shopping, cada administradora, tem uma negociação diferente. Em todo Brasil esta tratativa é tomada pelo superintendente regional do Trabalho de cada Estado.

 

OP - Na sua agenda consta encontro com empresários locais. Isso é reflexo da aprovação da reforma trabalhista?

Helton Yomura - Na verdade, nós viemos aqui trazer uma palavra de otimismo e esperança aos empresários do Ceará, notadamente, do segmento de comércio e serviços. O Ministério do Trabalho, dentro do governo Michel Temer vem implementando uma série de medidas que visam a recuperação do emprego. Podemos elencar aqui a lei de terceirização, a modernização da legislação trabalhista e outras medidas colaterais como a lei de imigração e a entrada do E-social. O último janeiro foi o melhor em cinco anos com mais de 77 mil postos de trabalho criados, o que demonstra a recuperação da nossa economia. Este esforço de trazer esta mensagem de otimismo vem corroborar todo um cenário macroeconômico que estamos visualizando, seja pela redução da inflação, redução da taxa de juros, o aumento da balança comercial favorável ao Brasil, para que isso traduza ao empresariado uma visão de ânimo, de otimismo ao investimento.

 

OP - Como o senhor avalia críticas à qualidade do emprego que está sendo gerado, por não ser duradouro?

Helton Yomura - Na verdade, esta é uma percepção. Nós temos na modernização trabalhista algumas novas formas de contratação, como trabalho intermitente e trabalho parcial. Estas são algumas medidas para que as pessoas tenham ocupação...

 

OP - Mas são empregos que garantem a sustentabilidade da renda no longo prazo?

Helton Yomura - Mas aí a gente tem várias outras formas de ocupação. Tem autônomo, de prazo determinado, o de prazo intermitente, parcial, temos as cooperativas, as MEIs (Micro empreendedor individual), tudo isso são formas de ocupação para que o trabalhador se encaixe dentro de uma delas porque o importante é ter alguma ocupação. Se vão durar pouco ou muito, isso depende do movimento da economia. O principal é o que o Ministério do Trabalho está fazendo que é destravar as amarras que existiam para que consigamos gerar emprego.

 

OP - O senhor considera estes mecanismos capazes de gerar um crescimento sustentável da renda das pessoas e de combater a questão da desigualdade?

Helton Yomura - São duas coisas. Estas modalidades que estão sendo criadas pela modernização trabalhista estão colocando o Brasil dentro de um patamar na economia que as outras economias já têm em termos de regularização da legislação trabalhista. No Fórum Econômico Mundial, em São Paulo, estávamos falando de indústria 4.0 e nós não podemos ter isso com uma legislação 1.0, temos que caminhar juntos com as melhores práticas internacionais. Digo aqui, por exemplo, o estado do Ceará que muito se equipara ao meu estado do Rio de Janeiro que tem uma pujança no setor de turismo e lazer de final de semana. Às vezes, o pequeno empreendedor da pequena pousada não tem condição de manter o trabalhador por prazo indeterminado, mas tem condições de manter um contratado de sexta a domingo, que é quando ele tem pico de demanda. Isso também não impede que este trabalhador tenha só esta ocupação, pode ter outra de segunda a sexta. Tudo isso é medida de combate à informalidade para aquelas pessoas que ficam à margem da formalidade no mercado de trabalho. O problema desta percepção é que nós ainda temos 12 milhões de desempregados. Este é um esforço de um movimento de sinergia da economia, confiança, da legislação trabalhista para recuperar estes postos de trabalho e reinserir essas pessoas no mercado formal.

 

OP - A reforma trabalhista veio em um contexto de várias outros projetos e reformas, como a da Previdência, que não avançaram como o Governo queria. Como avalia a evolução e sustentabilidade da recuperação do PIB?

Helton Yomura - Vejo com muito otimismo e vejo a mão firme do presidente Michel Temer (MDB) para que estas medidas continuem sendo levadas a efeito. Não foi possível fazer a reforma da Previdência por conta da intervenção federal no Rio de Janeiro, mas outras medidas estão sendo pensadas. Este caminho da recuperação da economia é um caminho lento, difícil, mas vai ser conseguido. Nós já temos indicadores bastante sólidos em relação a isso. Outras medidas que o Governo Federal está implementando, como a desburocratização do serviço público, isso coloca de novo em pé de igualdade com outros atores internacionais. Quanto menos horas você perde com burocracia, menor é o custo administrativo de um pequeno negócio de um empreendedor. Assim, ele pode se dedicar a gerar mais empregos, a gerar mais negócios.

 

OP - Qual a sua perspectiva em relação ao mercado de trabalho? A gente deve encerrar o ano com quantos empregos gerados?

Helton Yomura - Temos aí bons sinais em relação ao crescimento do PIB, então, esperamos um Caged positivo todos os meses deste ano.

 

Gabrielle Zaranza

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