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Cartão de crédito. Saiba como usar a seu favor

| COMPRAS | Quando é utilizado de forma consciente, o cartão de crédito ajuda no dia a dia do consumidor. Se o uso é feito sem organização e controle, o resultado pode ser o endividamento

01:30 | 05/02/2018

O uso consciente do cartão de crédito traz benefícios, tais como organização do orçamento mensal, praticidade, segurança, controle e possibilidade de parcelamento. Por outro lado, quando o consumidor extrapola os gastos e não paga o valor total da fatura, o resultado pode ser o endividamento. Apesar dos juros do cartão e do cheque especial terem caído em 2017, ainda continuam acima de 300% ao ano.  

Especialistas alertam para os cuidados e dão dicas para evitar a chamada “bola de neve” que causam o desequilíbrio financeiro. Um dos erros graves é usar o limite do cartão para complementar a renda.  

De acordo com o presidente do Conselho Regional de Economia no Ceará (Corecon-CE), Lauro Chaves, o cartão de crédito ajuda o consumidor a concentrar os pagamentos em uma data adequada ao seu fluxo de caixa. Porém, isso exige muita disciplina. O ideal é registrar cada compra efetuada com o seu respectivo comprovante, acumulando o valor total a ser pago na fatura.  

“Agindo dessa forma, o consumidor pode gerenciar, fazendo com que o valor integral a ser pago no vencimento não ultrapasse os recursos disponíveis. Já que, se não seguir essa regra básica, os juros a serem pagos com o adiamento serão os mais elevados do mercado, ao lado do cheque especial”, afirma Chaves. O diretor da plataforma de empréstimo do GuiaBolso (Just), Bruno Poljokan, avalia que o movimento de queda da taxa de juros básica da economia (Selic) pode ter passado a falsa ilusão para alguns consumidores de que modalidades como cheque especial e rotativo do cartão de crédito passaram a ser boas opções. “Estas duas modalidades continuam a ser as mais caras do mercado: no cheque especial, a taxa é de 323% ao ano e no cartão de crédito, de 334,6% ao ano”, completa. Ele observa que o cartão é uma modalidade muito cara de crédito para quem atrasa o pagamento. Como exemplo cita que uma fatura de R$ 1 mil não paga, em um ano, se transforma em uma dívida de mais de R$ 4 mil. 

Para o especialista, é possível tomar alguns cuidados para fujir da “bola de neve”. O consumidor precisa evitar diluir a dívida em muitas parcelas porque, mesmo que em pequenos valores, quando somadas, podem corroer boa parte da renda.  

“Indicamos que, no máximo, 5% da renda da pessoa seja comprometida com parcelas do cartão de crédito”, diz Poljokan. Ele também recomenda que cerca de 50% da renda sejam direcionados a despesas básicas; 15% para investimentos ou dívidas; e 35% para despesas com estilo de vida. “É a chamada Regra 50-15-35”, explica o diretor do GuiaBolso. 

Luís Fernando Romero, educador financeiro Dsop (metodologia que tem como pilares diagnosticar, sonhar, orçar e poupar), defende que o limite do cartão de crédito não deve ultrapassar 50%.  

“O ideal mesmo é que fique em torno de 30%. Se a pessoa ganha R$ 1 mil, o limite deve ser R$ 300”, alerta, considerando que assim, dificilmente, o limite do cartão é ultrapassado.  

Ele também recomenda que o consumidor possua apenas um cartão. No máximo dois, com datas de vencimento diferentes, se receber o salário por quinzena. Além disso, deve negociar a anuidade. Mesmo tendo havido uma queda de juros, o conselho é nunca atrasar ou deixar de pagar a fatura integral. “O juro por atraso ou parcelamento é exorbitante. O o melhor é evitar essa bola de neve”, destaca. 

 

FUJA DA “BOLA DE NEVE” > Evite acumular muitas parcelas, mesmo que de pequenos valores. O indicado é que, no máximo, 5% da renda seja comprometida com parcelas do cartão de crédito > Tenha um acompanhamento do seu cartão, ou seja, não espere chegar a fatura para visualizar quando deverá pagar. O ideal é que o consumidor acompanhe em algum aplicativo o andamento da conta > Tenha uma planilha atualizada para saber exatamente quanto ganha, quanto gasta e qual é a margem para gastos com compras, presentes, etc. > Recomenda-se que cerca de 50% da renda sejam direcionados a despesas básicas (aluguel, escola, transporte, alimentação, etc); 15% para investimentos ou dívidas (como financiamentos imobiliários ou empréstimos); e 35% para despesas com estilo de vida (roupas, viagens, etc). Essa é a chamada Regra 50-15-35 > Evite ter um limite do cartão muito elevado para que não haja estímulo ao consumo desnecessário > Procure não ter muitos cartões (dois são suficientes para ter a opção de duas datas de pagamento). > Ao perceber que não irá conseguir pagar a fatura do cartão, o consumidor tem de tomar uma atitude prévia, já contratando um crédito mais barato, como consignado (disponível apenas para uma parcela da população) ou um empréstimo online. > Caso já tenha atrasado o pagamento, o primeiro passo é tentar uma negociação com o credor e, posteriormente, buscar trocar a dívida cara por um crédito mais barato Fonte: Just  

 

DICAS PARA NÃO SE ENROLAR EM DÍVIDAS DO CARTÃO DE CRÉDITO

TUDO NO PAPEL Faça as contas para saber se terá dinheiro para efetuar o pagamento de uma só vez quando a fatura chegar 

PEQUENAS CONTAS Não use o cartão para pagar contas ou boletos de baixo valor, por exemplo. Você pagará muito mais que o valor devido 

EVITE PARCELAR Como os juros estão muito altos, parcelar a fatura do cartão pode ser um péssimo negócio. Fale com seu banco e veja se não vale a pena pegar um empréstimo consignado, por exemplo. 

PONTOS PARA QUÊ? Se sua ideia é concentrar as contas no cartão para acumular pontos, fique atento: o bem que você deseja adquirir – uma passagem área, por exemplo – pode custar menos do que você irá gastar para ter os pontos.  

DEFINA UM LIMITE Ao manter o limite do cartão de crédito em 30% da renda, fica mais fácil controlar os gastos. Se seu salário é de R$ 1.500,00, por exemplo, o limite do cartão deve ser de até R$ 450,00. Fonte: Serasa Consumidor   

 

JURO ANUAL O juro do cartão de crédito recuou 1 ponto percentual na passagem de novembro para dezembro, encerrando 2017 em 334,7% ao ano. Em dezembro de 2016, o juro cobrado chegava a 497,7% ao ano.   

 

Erros comuns 1. Sempre contar com o limite do cartão como renda extra 2. Pagar só a parcela mínima da fatura 3. Atrasar o pagamento do boleto 4. Não ter ideia de todas as taxas cobradas para usar o cartão 5. Ter muitos cartões de crédito 6. Não acompanhar o extrato 7. Se perder nas cobranças em débito automático 

ARTUMIRA DUTRA