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Montadoras fecham ano com aumento acima de 9%

Foram quatro anos de queda, mas a indústria automobilística vai conseguir encerrar 2017 com alta nas vendas, acima das projeções

01:30 | 28/12/2017
Até o dia 26 deste mês foram vendidos 178,9 mil automóveis, comerciais leves CAMILA DE ALMEIDA
Até o dia 26 deste mês foram vendidos 178,9 mil automóveis, comerciais leves CAMILA DE ALMEIDA

Após quatro anos de queda, a indústria automobilística brasileira vai encerrar o ano com crescimento de mais de 9% nas vendas, uma alta acima das projeções feitas pelas montadoras. Segundo analistas, a recuperação do mercado de carros novos começou no segundo semestre, pautada pela melhora da economia - ou seja, sem artificialismos como corte de impostos e crédito facilitado, medidas adotadas no período pré-crise.

Até o dia 26 deste mês foram vendidos 178,9 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo dados do mercado.

Se a média de vendas diárias for mantida até amanhã, dezembro fechará com cerca de 210 mil unidades vendidas. No ano, a soma já está em 2,206 milhões de unidades e deve ficar próxima a 2,240 milhões, ante 2,050 milhões em 2016.

"Essa retomada veio para ficar, pois tem como base a melhora da renda do consumidor, do emprego e do crédito, e não de artificialismos do governo", diz João Morais, economista da Tendências Consultoria. Ele projeta nova alta de 15% em 2018, movimento que será seguido pelo setor de consumo em geral em diferentes proporções.

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) iniciou o ano com previsão de alta de 4% nas vendas, e refez o cálculo em setembro, para 7,3%. O presidente da entidade, Antonio Megale, admitiu que a alta seria maior.

A melhora do mercado levou a indústria automobilística a abrir 5,1 mil vagas neste ano, depois de ter promovido 30,6 mil demissões a partir de 2014 e ter adotado diversos mecanismos de corte de produção.

Fábricas que chegaram a operar com 70% de ociosidade agora estão fazendo horas extras e contratando, como a Mercedes-Benz em São Bernardo do Campo (SP) e a MAN em Resende (RJ), ambas fabricantes de caminhões e ônibus. "Se a demanda continuar aquecida é possível que a partir de maio será necessário ampliar o trabalho aos sábados ou voltar a operar em dois turnos em algumas áreas", diz o presidente da Mercedes, Phillip Schiemer. Na semana passada, a empresa contratou 266 funcionários.

A retomada no setor também veio acompanhada de anúncios de novos investimentos, entre os quais o da Mercedes-Benz (R$ 2,4 bilhões), da Toyota (R$ 1,6 bilhão) e da MAN (R$ 1,5 bilhão).

O setor de autopeças também refez projeções e ampliou de R$ 69 bilhões para R$ 76,9 bilhões a previsão de faturamento este ano.

"Para 2018, a expectativa é de um aumento de 7,4%, porque as exportações vão continuar crescendo, assim como o mercado doméstico", diz Dan Iochpe, presidente do Sindipeças (que representa as empresas do setor). (Agência Estado)