PUBLICIDADE
Jornal

Pior momento da indústria já passou

A projeção da indústria automobilística para 2018 é de retomada. Representantes do setor acreditam em um crescimento de dois dígitos

10/10/2017 01:30:00
NULL
NULL
[FOTO1]

Após quatro anos seguidos em baixa, o consumo de veículos no Brasil está crescendo mais de 7% em 2017 e, na avaliação de executivos da indústria automobilística, essa recuperação deve se dar em ritmo ainda mais acelerado em 2018.


Ontem, ao participarem de um congresso na zona sul da capital paulista, dirigentes de montadoras e da Anfavea, a entidade que representa o setor, traçaram cenários de crescimento de dois dígitos tanto das vendas domésticas quanto da produção - esta última também estimulada pelo desempenho recorde das exportações.


O otimismo vem da melhora da confiança dos consumidores e das empresas, que compram veículos comerciais para transporte de mercadorias, da recuperação da atividade econômica e da queda da inflação e dos juros. São fatores que, combinados a uma visão de que a economia se descolou da política - permitindo a perspectiva positiva a despeito das eleições do ano que vem -, ajudam a destravar a renovação de frotas.


Mesmo que não seja suficiente para reverter uma ociosidade nas montadoras que deve encerrar o ano em torno de 45%, a reação dessa indústria, responsável por cerca de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), já leva a MAN a cancelar, conforme confirmado nesta segunda-feira, as férias coletivas de fim de ano em sua fábrica no sul do Rio de Janeiro, assim como encoraja a General Motors (GM) a preparar mais investimentos no Brasil, como antecipou nesta segunda o presidente da montadora no Mercosul, Carlos Zarlenga.


Em sua apresentação no congresso, realizado pela Autodata, Zarlenga - que já havia sido certeiro ao prever, há três anos, a intensidade da crise que atingiu o mercado automotivo - divulgou previsões de crescimento de 7% a 16% nas vendas de veículos novos no Brasil em 2018. Se suas contas estiverem certas, os brasileiros vão comprar entre 2,4 milhões e 2,6 milhões de veículos em 2018.


Nos anos seguintes, os cálculos da GM indicam que o mercado continuará crescendo a um ritmo anual próximo de 8% até chegar a 3,3 milhões de unidades em 2021, o que é 50% a mais do que o volume previsto para este ano, porém ainda bem abaixo do pré-crise, quando o setor chegou a emplacar quase 3,8 milhões de unidades.


Pior já passou

Antes de Zarlenga, o presidente da Anfavea, Antonio Megale, avaliou no congresso que o pior momento já foi superado, considerou que o País tem potencial de voltar a estar entre os cinco maiores mercados do mundo até meados da próxima década e, incluindo na análise a retomada das exportações, previu que as montadoras devem voltar a montar 3 milhões de veículos em 2018, 11% acima do previsto para este ano.

 

Na mesma linha, Roberto Cortes, presidente da MAN, que produz os caminhões e ônibus da marca Volkswagen, estimou crescimento de dois dígitos tanto do mercado quanto da produção de veículos comerciais pesados em 2018. “A bolsa cresceu 77% nos últimos seis meses, o risco Brasil caiu, o real está estável e a taxas de juros são a metade do que eram”, comentou o dirigente da MAN. “Esperamos crescimento do PIB relativamente alto em 2018”, acrescentou.


Vice-presidente da Ford, Rogelio Golfarb disse ser possível um crescimento próximo de 10% no ano que vem, mas, diferentemente de seus pares, mostrou desconfiança em relação à sustentabilidade da retomada do mercado e à manutenção das altas taxas de crescimento. “O motor do crescimento não é igual ao do passado, mas isso não significa que não teremos crescimento”, assinalou.


Financiamento ainda caro e alta seletividade bancária nas liberações de crédito, dado o risco de inadimplência elevado, estão entre os fatores que, segundo Golfarb, tiram tração de uma recuperação que, por enquanto, tem se baseado em exportações e vendas a frotas, menos rentáveis do que as fechadas no varejo. “Há, sem dúvida, uma inflexão, mas somos cautelosos sobre uma recuperação mais acentuada”, afirmou o executivo da Ford.

AE

 

Adriano Nogueira

TAGS
NULL