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PIB do Ceará volta a crescer

Desempenho no segundo trimestre foi superior à média nacional e interrompe oito trimestres consecutivos de queda. Agropecuária puxa o resultado e setor de serviços começa a registrar melhora. Estudo foi divulgado pelo Ipece

01:30 | 13/09/2017

Pela primeira vez, depois de oito trimestres consecutivos de queda, o Produto Interno Bruto (PIB) do Ceará registrou alta, tanto em relação ao mesmo período do ano anterior (2,17%), quanto no comparativo com o primeiro trimestre deste ano (1,33%). O desempenho foi superior à média brasileira. A agropecuária puxou resultado, mas o setor de serviços, que representa 75% do PIB, também começa a melhorar.

Os números divulgados ontem pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) mostram que apesar de ter demorado mais a entrar na crise, os primeiros números negativos vieram somente no 2º trimestre de 2015, e no final daquele ano ter caído mais que a média brasileira (-7,82%), o Ceará começa a se recuperar em ritmo mais acelerado.

Para se ter uma ideia, o Brasil neste segundo trimestre cresceu apenas 0,2% em relação ao primeiro trimestre e 0,3% no comparativo com o segundo trimestre de 2016.

“Os números mostram expansão muito maior do que aconteceu na economia nacional. É um sinal importante que estamos saindo do processo recessivo e a perspectiva para frente, nos próximos trimestres, é confirmar esta tendência”, afirmou o presidente do Ipece, Flávio Ataliba.

A quadra chuvosa melhor que a do ano passado e mais bem distribuída no Estado foi o que impulsionou a atividade agropecuária neste segundo trimestre e foi decisiva para este resultado. A produção de milho, por exemplo, quadruplicou e a de frutas teve crescimento superior a 20%, segundo o Ipece. O que gerou no setor, uma alta no PIB de 41,26% em relação a 2016 e de 33,03% no comparativo com o imediatamente anterior.

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Em função da sazonalidade do setor, este resultado não deve se repetir no próximo trimestre. Mesmo assim, na avaliação do analista de políticas públicas do Ipece, Alexsandre Cavalcante, o Estado caminha para uma melhora de cenário geral de forma mais sólida.

Ele cita o desempenho do setor de serviços, o de maior peso no PIB, e que apesar de ter apresentado ligeira queda no comparativo com o primeiro trimestre (-0,3%), teve um desempenho melhor que o do segundo trimestre de 2016 (0,13%). Com destaque para o comércio (alta de 1,09%). Fatores como a recente liberação do FGTS inativo e a queda do desemprego ajudam a explicar este cenário.

“No Ceará, a gente teve um impacto negativo de empregos significativo no primeiro trimestre, um saldo menor no segundo e a expectativa é de que no terceiro trimestre passe a ser positivo. Então, com esta reversão da taxa de desemprego, a expectativa é que a economia tenha manutenção deste quadro de melhora”, avalia Alexsandre, reforçando que tradicionalmente, os dois últimos trimestres do ano costumam ser de melhor dinâmica econômica.

 

IRNA CAVALCANTE

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