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Os movimentos da economia com o hub

Viajar para Paris vai ficar mais barato. Além de incrementar o turismo, hub Air France-KLM em Fortaleza vai impulsionar diferentes negócios

26/09/2017 01:30:00
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A partir do próximo mês começam as vendas para os voos diretos para Paris e Amsterdã partindo de Fortaleza oferecidos pela Joon, a nova empresa aérea de baixo custo da Air France-KLM. O grupo anunciou ontem oficialmente Fortaleza como o seu hub (centro de conexões) no Nordeste. Serão cinco voos semanais que devem começar a operar a partir de maio de 2018. A estimativa é de que o trecho custe a partir de 251 euros (R$ 933,97) e podem chegar a 2.081 euros (R$ 7.743,40).


Se a média de preços for mantida à época da venda das passagens, esta será uma rota mais barata para se chegar à Europa. Ida e volta para Paris, sem considerar as taxas, sairia por pouco mais de R$ 1,8 mil. Enquanto uma viagem para o mesmo destino saindo de Fortaleza, em maio, mas passando antes por Lisboa custa, em média, R$ 2,3 mil. Considerando viajar primeiro para São Paulo e de lá pegar um voo para Paris, os gastos com passagens, também ida e volta, ficam em torno de R$ 6,2 mil.

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Serão dois voos por semana da Air France partindo de Fortaleza para França e outros três, também semanais, para Amsterdã, pela KLM. Na prática, o tempo de viagem será de aproximadamente 9h25min.


Menos do que a rota hoje oferecida pela TAP para o voo Fortaleza – Lisboa e de Lisboa para Paris, já que neste ainda há conexão e, no mínimo, cinco horas a menos do que a rota oferecida pela Latam e pela própria Air France para chegar ao destino passando por São Paulo.


De acordo com o diretor geral Air France-KLM para a América do Sul, Jean-Marc Pouchol, esta empresa foi desenhada para atender os chamados millenials, de 18 a 35 anos.

 

€ 35 será o valor de voos de Paris para Berlin, Barcelona, Lisboa e Porto pela Joon

 

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A Gol, empresa brasileira parceira no projeto, vai alimentar estes voos internacionais ampliando em 35% os voos que atendem Fortaleza e também ajustando sua malha para ampliar oferta em Recife, Salvador, Belém e Manaus e criando uma nova rota entre Natal e Fortaleza, ressaltou o presidente da Gol, Paulo Kakinoff.


Na avaliação do agente de viagens da Ceará Travel, Victor Costa, independente dos preços que serão oferecidos pelas companhias, quem ganha com a entrada da nova empresa no mercado é o consumidor. “Eu acho que onde existe a concorrência, todo mundo ganha. A TAP lidera hoje porque o voo da Condor para Frankfurt só tem uma saída semanal. Como este novo voo já nasce com várias frequências semanais, será mais uma forma de se chegar à Europa e de lá seguir para os demais países”.

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Ele recomenda, no entanto, atenção ao modelo de passagens. “Tem que observar se o tipo de passagens contempla, por exemplo, o despacho de bagagens. A maioria das companhias low cost não oferecem este serviço e adquirir na hora pode sair bem mais caro”.


TURISMO


1. Para Carlos Grotta, especialista em transporte aéreo e infraestrutura aeroportuária, a Air France-KLM está mais interessada no público europeu que o brasileiro. “A companhia se mostra mais interessada nos europeus por causa da estabilidade econômica. Em questão de atração, Fortaleza é uma boa porta de entrada para a Amazônia”, destaca. A formação do hub, analisa, dependerá também das empresas aéreas brasileiras. “Os turistas precisarão das companhias domésticas do País para fazer a distribuição. Quem vai acabar formando o hub é a própria Gol”, avalia.


2. A tarifa promocional se torna mais atrativa para consumidor de São Paulo ou Rio de Janeiro buscar o voo para Paris partindo de Fortaleza. “A empresa oferece voos por R$ 3 mil no Sudeste. Entra a companhia de baixo custo. Compensa mais pagar até R$ 1.000 até Fortaleza e desembolsar outros R$ 1.200 para ir até a Paris. Essa é uma das vantagens”, avalia Grotta.


3. Para o diretor-executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Ceará (Abrasel-CE), Taiene Righetto, Fortaleza vai ter a chance de voltar a atrair o turista europeu e de fortalecer a gastronomia local. “O turismo é o primeiro setor impactado (com voos e novo hub), levando junto toda uma cadeia que vai acabar se beneficiando, seja a gastronomia, as barracas de praia, o comércio local, taxistas. O turista europeu tem poder aquisitivo alto”.


4. “Hoje, o turismo é a indústria que mais gera empregos e impacta, por baixo, pelo menos 54 setores: o hoteleiro, o taxista, o artesão, etc.”, diz o vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Ceará (ABIH-CE), Manoel Linhares. “É bom para todos os ramos porque vem divulgação e tudo acontece numa conexão dessa”, acrescenta.

(Colaborou Lígia Costa)

Irna Cavalcante

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