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Cai rentabilidade de regime próprio de previdência

Queda da taxa de juros faz rentabilidade de regimes próprios de previdência cair. Municípios cearenses devem mudar investimentos

02/09/2017 01:30:00
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Se não aumentar diversificação na carteira de investimentos dos regimes próprios de previdência, muitos municípios cearenses terão dificuldades de manter o equilíbrio e cumprir a meta atuarial destes planos que hoje é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mais 6% este ano. O alerta é do estrategista-chefe da BTG Pactual Asset Management, João Scandiuzzi, que chama atenção para a queda da rentabilidade em função da redução da taxa de juros.


Hoje, apesar de o Conselho Monetário Nacional (CMN) permitir que os gestores de fundo de previdência municipais destinem até 5% dos recursos no mercado de ações, esta não é uma realidade para maioria dos municípios do Estado. A maior parte é aplicada em renda fixa.

[SAIBAMAIS]

Ele explica que na época em que a Selic, taxa básica de juros, estava em 14,25%, como em outubro do ano passado, e o risco Brasil estava muito alto fazia sentido manter os investimentos destes planos em títulos de renda fixa, mas na medida em que a taxa de juros é reduzida – hoje está em 9,25%, com perspectiva de terminar o ano em 7% - é necessário mudar o planejamento para manter o índice de rentabilidade.


“Com a taxa de juros em 7%, as NTN – B (Notas do Tesouro Nacional série B) rendendo muito abaixo de 6%, as mais curtas em pouco mais de 3% e as mais longas pouco acima de 5%, não dá para ficar só em renda fixa. É preciso arriscar mais se não a conta não fecha”, afirmou Scandiuzzi, durante Encontro das Entidades Públicas de Previdência do Ceará, promovido pelo Banco do Nordeste (BNB).


Ele reforça que apesar da instabilidade política ainda ser grave no Brasil, a decisão do FED, o banco central dos Estados Unidos, de manter a taxa de juros do dólar, a melhora no preço das commodities no mercado internacional e o início do processo de retomada da economia brasileira também contribuem para um melhor desempenho das empresas brasileiras no mercado de ações.


O Ceará que demorou mais para sentir os efeitos da crise econômica brasileira, tem tido um ritmo um pouco mais lento que o País no processo de retomada. Mas não terá tantas dificuldades neste processo quanto estados vizinhos, como a Bahia, avalia o economista-chefe do Banco do Nordeste (BNB), Luís Esteves. “Até pelas próprias características da economia, o Ceará foi um estado que teve menos volatividade, ele caiu, mas não caiu tanto. Ainda assim, vai ser preciso redirecionar despesas”.

 

Irna Cavalcante

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