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Novo complexo eólico pode abastecer cidade média

29/07/2017 01:30:00
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O Ceará deu um novo passo na geração de energia elétrica, a partir de fontes alternativas, com o início da operação comercial do complexo eólico Pedra Cheirosa, no município de Itarema, a 237 quilômetros de Fortaleza. O projeto da CPFL Renováveis - maior geradora de energia eólica do Estado - foi inaugurado ontem, com 23 geradores e 48,3 megawatts (MW) de capacidade instalada, o suficiente para abastecer uma cidade média, de 120 mil habitantes.


O presidente da CPFL Renováveis, Gustavo Sousa, não divulga o montante investido no projeto, mas diz que a empresa já é procurada para comprar projetos ou operações prontas. “No momento, a gente aguarda leilão e também analisa alternativas de aquisição aqui no Estado. Mas nenhuma alternativa está avançada”.


No Ceará, além do Pedra Cheirosa, a CPFL tem outros três complexos: o SIIF, com os parques Foz do Rio Choró, Icaraizinho, Paracuru e Praia Formosa; o Rosa dos Ventos, com os parques Canoa Quebrada e Lagoa do Mato; além do Complexo Bons Ventos, com Taíba Albatroz, Paracuru e Enacel.

Com garantia física de 26,1 MW, o empreendimento em Itarema gerou mais de 1.200 empregos diretos e indiretos, durante os oito meses de obra.

CE: potencial e gargalos

Além de se somar aos 1.600 MW já instalados no Ceará, o complexo Pedra Cheirosa se destaca por sua potência e tecnologia adotada, avalia o consultor de energia da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (Fiec), Jurandir Picanço.

Para ele, o Estado deveria explorar ainda mais seu “imenso” potencial eólico, de 80 gigawatts (GW). “Isso representa praticamente 80% de toda a capacidade instalada no País. Mesmo com os parques contratados e em construção, não chegamos a explorar nem 10% disso”.

Um dos principais gargalos para o melhor aproveitamento do potencial existente, aponta, está no histórico atraso de ampliação de infraestrutura elétrica, como redes de transmissão, para escoamento da energia produzida.

Presente na cerimônia de inauguração do complexo, a vice-governadora do Ceará, Izolda Cela, se referiu à produção de energia renovável como "área preciosa" para o Estado e região Nordeste. "É uma energia que não cobra uma fatura tão alta à natureza e à vida. E temos sol, além de ventos vigorosos, unidirecionais, regulares... uma composição de elementos que faz com que tenhamos um potencial muito importante e que deve mobilizar o Governo do Estado. Claro, em parceria também com a iniciativa privada". 

Baixa demanda

No âmbito nacional, o problema que mais tem afetado o desenvolvimento da produção eólica é a baixa demanda provocada pela crise econômica, garante a presidente executiva da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Gannoum. “O Brasil não está crescendo e as necessidades de contratação reduzem; precisamos sair desse marasmo”, pondera, reivindicando a realização de novos leilões de energia de reserva. “Têm muitos investidores no Brasil com dinheiro no bolso para investir, mas é preciso ter leilão. O Governo está dizendo que vai fazer um este ano e, então, vamos retomar as contratações. Assim, estaremos com o caminho mais livre para crescer”. (Lígia Costa)

Matéria atualizada às 1h30min do dia 29/07/2017

Adriano Nogueira

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